Sorgo avança 35% no Brasil e produção atinge 5,9 milhões de toneladas
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Publicado em 27/03/2026 11h57

Sorgo avança 35% no Brasil e produção atinge 5,9 milhões de toneladas

A produção de sorgo no Brasil cresceu 35% na safra 2024/2025, impulsionada pelo uso de bioinsumos que aumentam a tolerância da cultura a secas prolongadas e altas temperaturas.
Por: Redação

O sorgo consolida-se como uma das culturas de maior expansão na safrinha brasileira, atingindo a marca histórica de 5,9 milhões de toneladas no ciclo 2024/2025. O crescimento de 35% em relação ao período anterior reflete a busca dos produtores por alternativas mais resistentes a adversidades climáticas. Embora o sorgo seja naturalmente tolerante a estresses hídricos e térmicos, o manejo técnico evoluiu para garantir que o potencial produtivo não seja limitado por veranicos cada vez mais frequentes.

O foco estratégico dos agricultores deslocou-se para os primeiros 20 dias após a emergência, fase considerada crítica para o estabelecimento da lavoura. Nesse estágio, o arranque inicial define a uniformidade e a profundidade do sistema radicular. Para otimizar esse desenvolvimento, o uso de bioinsumos no tratamento de sementes tornou-se uma prática padrão, promovendo a liberação de fitormônios que aceleram o crescimento das raízes e preparam a planta para buscar água em camadas mais profundas do solo.

A adoção dessas tecnologias biológicas não apenas melhora a nutrição vegetal, mas cria um escudo fisiológico contra o calor extremo. Microrganismos promotores de crescimento atuam na regulação interna da planta, permitindo que ela mantenha suas funções vitais mesmo sob radiação intensa. Essa simbiose entre biologia e solo é o que tem permitido ao sorgo ocupar áreas onde outras culturas, como o milho, apresentam maior risco de quebra de safra.

Inovação em Biofilmes e Resiliência Radicular

Uma das inovações que ganham destaque no campo é a formação de biofilmes ao redor das raízes. Soluções como o Bioasis Power, da Biotrop, utilizam bactérias específicas que criam uma camada protetora na rizosfera. Esse biofilme atua retendo a umidade próxima às raízes por mais tempo e melhorando a absorção de nutrientes em condições de solo seco. A tecnologia transforma a raiz em uma estrutura mais resiliente, capaz de suportar janelas de seca sem interromper o enchimento de grãos.

Além da proteção contra a seca, o manejo biológico foca na manutenção da sanidade foliar. O uso de biofungicidas, como o Bombardeiro, tem se mostrado eficiente no controle preventivo da antracnose e de manchas foliares, doenças que podem comprometer severamente a fotossíntese. Ao preservar a área foliar ativa, o produtor garante que a planta converta o máximo de energia solar em produtividade, resultando em grãos de melhor peso e qualidade industrial.

A integração de biológicos no sistema de produção do sorgo reduz a dependência exclusiva de defensivos químicos, alinhando a cultura às exigências globais de sustentabilidade. O manejo preventivo com microrganismos benéficos cria um ambiente supressivo a patógenos, diminuindo a pressão de doenças ao longo de todo o ciclo. Essa abordagem holística é fundamental para manter a viabilidade econômica do sorgo, especialmente em anos de El Niño ou instabilidades climáticas severas.

O Futuro do Sorgo no Mix de Cultivos

O avanço de 35% na produção brasileira sinaliza que o sorgo deixou de ser apenas uma cultura de cobertura ou "seguro" para tornar-se um componente lucrativo do portfólio agrícola. Em estados como Mato Grosso do Sul, onde a janela de plantio da safrinha pode ser apertada, o sorgo oferece uma alternativa de menor custo de implantação e alta liquidez no mercado de rações e bioenergia. A expansão da área plantada deve continuar acompanhando a evolução das tecnologias de manejo biológico.

A indústria de bioinsumos tem investido pesado em formulações específicas para o sorgo, reconhecendo o potencial da cultura em regiões de fronteira agrícola e áreas de clima árido. O desafio agora é a difusão desse conhecimento técnico para que mais produtores aproveitem os benefícios da "biologia de plataforma". A capacidade do sorgo de produzir biomassa e grãos com baixo consumo de água o coloca como peça-chave na estratégia de segurança alimentar e resiliência climática do Brasil.

Com o suporte de soluções biológicas de ponta, o sorgo brasileiro caminha para novos recordes. A combinação de genética adaptada e microbiologia aplicada permite que o agricultor transforme desafios climáticos em oportunidades de negócio. O sucesso da última safra prova que, quando o manejo biológico entra em cena, até as culturas mais rústicas revelam um potencial de rendimento surpreendente, consolidando o Brasil como líder em agricultura tropical regenerativa.