Felipe Dutra encerra ciclo da Famasul com foco em gestão contábil
Publicado em 10/04/2026 17h01

Felipe Dutra encerra ciclo da Famasul com foco em gestão contábil

O contador Felipe Dutra detalhou hoje (10), na Expogrande, os reflexos da reforma tributária na contabilidade rural, focando no reconhecimento de créditos.
Por: Wisley Torales

O encerramento do ciclo de debates técnicos promovido pelo Sistema Famasul e pelo Senar/MS na 86ª Expogrande trouxe o olhar prático da contabilidade para o centro do palco. Felipe Dutra, contador com vasta experiência no setor produtivo, abordou o tema "Reflexos Contábeis da Reforma Tributária no Agronegócio", apresentando as diretrizes para a convivência entre os sistemas tributários antigo e novo.

De acordo com o palestrante, a maior preocupação para os escritórios de contabilidade e departamentos fiscais das fazendas reside no reconhecimento contábil imediato do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Dutra salientou que o registro correto desses impostos é o que garantirá o aproveitamento dos créditos, evitando perdas financeiras por falhas de lançamento.

A transição, que ganha corpo a partir deste ano, exige que o plano de contas das propriedades rurais seja inteiramente revisado. O especialista explicou que a segregação entre o que é custo de produção e o que é imposto recuperável se tornará muito mais complexa. No modelo atual, muitos produtores ainda operam com controles simplificados, o que não será mais permitido sob a égide da nova legislação federal.

PONTO DE ATENÇÃO: O reconhecimento do crédito tributário passará a ser eletrônico e vinculado ao fluxo de pagamento, exigindo uma integração total entre o setor de compras e a contabilidade da fazenda.

Durante a apresentação, Dutra enfatizou que o papel do contador no agronegócio deixa de ser apenas o de "gerador de guias" para se tornar um consultor estratégico de conformidade. Ele demonstrou como o registro contábil de insumos e máquinas agrícolas precisará seguir normas rígidas para que o benefício da alíquota reduzida, pactuado na reforma, seja efetivamente aplicado.

O palestrante também tratou da extinção gradativa de incentivos fiscais regionais e setoriais. Com a unificação dos impostos, a contabilidade precisa estar preparada para demonstrar a rentabilidade real do negócio sem as "muletas" fiscais de outrora. Essa mudança de paradigma força o produtor a focar na eficiência operacional e na redução de custos administrativos.

Felipe Dutra encerrou sua participação participando de uma mesa redonda mediada por Josemar Battisti, presidente do CRCMS. O debate final reuniu as dúvidas dos participantes presenciais e daqueles que acompanharam a transmissão pelo YouTube, consolidando o entendimento de que a reforma tributária é, acima de tudo, um desafio de gestão de dados.

A conclusão do evento no Tatersal II da Acrissul marca um momento histórico para o setor em Mato Grosso do Sul. As orientações passadas pelos especialistas ao longo do dia servem como guia para o período de adaptação que se estenderá pelos próximos anos, garantindo que o agro sul-mato-grossense mantenha sua liderança econômica.

As apresentações técnicas terminam com o alerta de que a espera não é uma opção para o produtor rural. A implementação dos novos processos contábeis deve começar imediatamente, utilizando o período de transição para sanar inconsistências nos registros internos e treinar as equipes responsáveis pela emissão de documentos fiscais.