Demanda de bioenergia reage preços do milho em MS, mas mercado segue lento
Publicado em 17/04/2026 08h17

Demanda de bioenergia reage preços do milho em MS, mas mercado segue lento

O mercado brasileiro de milho enfrenta um período de baixa liquidez e oscilações, pressionado pelo avanço da colheita de verão e pelo câmbio, enquanto o setor de bioenergia tenta sustentar os preços em Mato Grosso do Sul.
Por: Redação

O mercado interno de milho opera em um cenário de "braço de ferro" entre produtores e compradores. De acordo com a análise da TF Agroeconômica, as cotações na B3 refletem essa incerteza, com os contratos de curto prazo sofrendo pressão negativa devido ao avanço da colheita de verão, enquanto os vencimentos mais longos encontram algum suporte na demanda internacional.

A oferta abundante, reforçada pelas projeções de uma safra recorde na Argentina, mantém as indústrias e consumidores em uma posição confortável. Com a expectativa de uma safrinha volumosa no Brasil, os compradores estão retraídos, aguardando janelas de preços mais atrativas para realizar grandes volumes de aquisição. Esse comportamento resultou em um mercado de baixa liquidez em praticamente todas as regiões produtoras.

No Rio Grande do Sul, onde os preços oscilam entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, o clima tem sido o fiel da balança. As chuvas frequentes dificultam o avanço das máquinas, mas garantem uma produtividade média satisfatória. Já no Paraná, a primeira safra está na reta final e a segunda safra (safrinha) se desenvolve sob condições climáticas favoráveis, o que aumenta a confiança na oferta futura e, consequentemente, esfria as negociações imediatas.

DESTAQUE REGIONAL Em Mato Grosso do Sul, o cenário de quedas consecutivas foi interrompido por uma leve reação nos preços. O fôlego extra vem da forte demanda das indústrias de bioenergia (etanol de milho), que seguem operando com capacidade elevada.

Além do cenário produtivo, o fator macroeconômico pesa nas decisões. Com o câmbio operando abaixo de R$ 5,00, a competitividade da exportação diminui, forçando o grão para o mercado interno e pressionando as cotações locais. A seletividade da demanda é a marca deste trimestre: compra-se apenas o necessário para o curto prazo, evitando a formação de estoques caros diante de uma colheita que promete ser generosa.

Resumo das Praças e Tendências

Região Preço Médio (Saca) Situação do Mercado
Rio Grande do Sul R$ 56,00 - R$ 62,00 Baixa liquidez; chuvas atrasam colheita.
Paraná Estável Mercado lento; foco total na safrinha.
Mato Grosso do Sul Em reação Impulsionado pelo setor de bioenergia.
Santa Catarina Estável Negociações travadas; gap entre oferta e demanda.