Pecuária impulsiona PIB do agro com crescimento recorde no ano
Publicado em 28/04/2026 10h17

Pecuária impulsiona PIB do agro com crescimento recorde no ano

O PIB do agronegócio cresceu 12,2% em 2025, chegando a R$ 3,20 trilhões sob o impulso da pecuária e maior produção no campo, segundo Cepea e CNA.
Por: Redação

O agronegócio brasileiro consolidou sua posição como o motor da economia nacional ao encerrar 2025 com um crescimento expressivo. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor registrou alta de 12,2% na comparação com o ano anterior. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Com esse desempenho, o valor total gerado pelo setor atingiu a marca histórica de R$ 3,20 trilhões. O cálculo considera os preços correntes do quarto trimestre de 2025. Esse resultado elevou a participação do agronegócio na economia total do país, que saltou de 22,9% em 2024 para 25,13% no fechamento do último ano.

O movimento de expansão foi sustentado pela força da produção agropecuária, especialmente no segundo semestre. Do montante total, o ramo agrícola respondeu por R$ 2,06 trilhões. Já o segmento pecuário, que apresentou o crescimento mais acelerado do período, contribuiu com R$ 1,14 trilhão para a soma global.

A FORÇA MOTRIZ DA PECUÁRIA

O ramo pecuário foi o grande destaque do levantamento, apresentando uma variação acumulada de 32,55%. Esse avanço foi sentido em praticamente todos os elos da cadeia. No segmento primário (dentro da porteira), a alta foi de 24,16%, resultado de uma combinação favorável entre o aumento da produtividade e a recuperação dos preços médios pagos aos produtores.

A agroindústria de base pecuária registrou um salto ainda maior, com 36,54% de crescimento. Esse desempenho foi puxado pela maior demanda por proteína animal e pela valorização dos produtos processados. O reflexo mais intenso, porém, ocorreu nos agrosserviços ligados ao setor, que dispararam 41,59% no acumulado do ano.

DESEMPENHO POR SEGMENTO (VARIAÇÃO %):

  • Primário Pecuário: +24,16%

  • Agroindústria Pecuária: +36,54%

  • Agrosserviços Pecuários: +41,59%

Em contrapartida, o setor de insumos para a pecuária foi o único a registrar queda, com recuo de 11,67%. Segundo os pesquisadores do Cepea, esse movimento foi influenciado diretamente pela baixa no valor da produção da indústria de rações, o que reduziu o faturamento desse segmento específico, apesar de favorecer os custos de produção no campo.

ESTABILIDADE E DESAFIOS NO RAMO AGRÍCOLA

O ramo agrícola apresentou um crescimento mais moderado, fechando o ano com alta de 3,40%. O segmento primário da agricultura avançou 13,09%, impulsionado por safras robustas de milho e café. O aumento do volume produzido compensou oscilações de mercado e garantiu a manutenção da rentabilidade em diversas regiões produtoras.

O setor de insumos agrícolas também teve um ano positivo, com alta de 12,51%. O desempenho foi alavancado pela forte demanda por fertilizantes, defensivos e, principalmente, pela renovação da frota de máquinas agrícolas. Esse investimento em tecnologia demonstra a confiança do produtor na continuidade da expansão das áreas de cultivo.

CENÁRIO DA AGRICULTURA:

  • Insumos: +12,51%

  • Primário: +13,09%

  • Agroindústria: -3,33%

O ponto de atenção no ramo agrícola ficou para a agroindústria, que recuou 3,33%. Os pesquisadores atribuem essa retração à pressão exercida pela queda nos preços dos produtos industriais de base vegetal ao longo de 2025. Mesmo com o volume processado em alta, o faturamento nominal das indústrias foi afetado pela deflação em itens específicos da pauta de exportação.

AGROSSERVIÇOS E LOGÍSTICA

O setor de agrosserviços, que engloba logística, transporte, armazenagem e comercialização, acompanhou a tendência de alta do setor produtivo. No total geral do agronegócio, o segmento cresceu 13,76%. Esse avanço reflete a necessidade de movimentar safras recordes e o fluxo intenso de animais para o abate e exportação.

O volume agregado do setor subiu 6,76% no período. Embora os preços reais tenham apresentado elevação em momentos pontuais, o ritmo de expansão do PIB perdeu força nos últimos trimestres de 2025. Esse esfriamento ocorreu devido a quedas sucessivas nos preços de algumas commodities, o que normalizou a curva de crescimento após os picos registrados no início do ano.

Os dados reforçam que a diversificação entre agricultura e pecuária garante a resiliência do setor. Enquanto a indústria agrícola enfrentou desafios de preços, a pecuária assumiu o protagonismo, equilibrando a balança e garantindo que o PIB do agronegócio mantivesse os dois dígitos de crescimento.

A participação do agronegócio na economia brasileira agora supera um quarto de toda a riqueza produzida no país. O setor continua a atrair investimentos estrangeiros e a impulsionar o desenvolvimento tecnológico em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

O levantamento aponta que a soja continua sendo a principal cultura em valor bruto de produção, seguida pelo milho e pela carne bovina. A CNA destaca que a manutenção de políticas de crédito e seguro rural será determinante para que os números de 2026 mantenham a trajetória de 2025.