A trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã reduziu riscos imediatos nos mercados financeiros, mas não encerrou as incertezas sobre energia, inflação e reorganização geopolítica. Segundo análise do Rabobank, o cessar-fogo em vigor, condicionado à reabertura do Estreito de Hormuz para permitir negociações, apenas adiou os efeitos mais críticos do impasse.
A agenda dos Estados Unidos segue concentrada em limitar o apoio iraniano a forças regionais, impor restrições ao enriquecimento nuclear e garantir controle sobre urânio já enriquecido. Para o Irã, as prioridades envolvem a sobrevivência do regime, o desbloqueio de ativos no exterior e o alívio de sanções que pressionam a economia doméstica.
A avaliação aponta que os dois lados optaram por esperar, apesar do aumento da pressão. No caso iraniano, os custos econômicos do bloqueio americano começam a aparecer em inflação mais alta, piora do comércio e risco de novos protestos. Para os Estados Unidos, trata-se de uma guerra impopular, com pouco ganho político interno antes do ciclo eleitoral de meio de mandato.
O Rabobank estendeu seu cenário-base para uma resolução do conflito para a segunda quinzena de maio, cerca de quatro semanas depois da previsão anterior. Nesse cenário, o Estreito de Hormuz começaria a reabrir de forma gradual. No curto prazo, o impacto adicional sobre as projeções de energia e sobre grandes economias é limitado, mas a duração das interrupções pode tornar a normalização mais lenta e desigual.
Parte do ajuste já ocorre por preços mais altos e destruição de demanda, sobretudo na Ásia e na África. O banco observa que esse processo é irregular, pois choques de preços, mudanças de comportamento e respostas de governos tornam as previsões menos confiáveis.
Os efeitos também alcançam bancos centrais, que indicam disposição para apertar as condições monetárias se necessário para conter riscos inflacionários. Para a instituição, a trégua não representa o fim da turbulência, mas uma pausa em uma transição estrutural mais ampla.