China e Brasil: 2 painéis que vão mudar o jogo no Congresso Abramilho
Publicado em 30/04/2026 17h22

China e Brasil: 2 painéis que vão mudar o jogo no Congresso Abramilho

Embaixador da China e Ministro da Agricultura debatem cadeias de milho e sorgo no 4º Congresso Abramilho, dia 13 de maio, em Brasília.
Por: Redação

Congresso Abramilho 2025. Foto: Divulgação

Brasília será o palco de um dos encontros mais estratégicos para a orizicultura e as cadeias de cereais do país. No dia 13 de maio, a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) realiza a quarta edição de seu congresso nacional. O evento ocorre no Unique Palace e concentra discussões sobre o futuro da produção de milho e sorgo no território nacional.

A confirmação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, elevou o patamar das discussões diplomáticas previstas para o encontro. O diplomata integrará os dois primeiros painéis do dia, o que sinaliza a relevância que o mercado asiático atribui à oferta brasileira. Atualmente, a China figura como o destino principal para as exportações do agronegócio do Brasil.

O primeiro painel, focado na transformação da agricultura, trará o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Ao lado dele, estarão lideranças como João Martins da Silva Júnior, da CNA, e Lucas Costa Beber, da Aprosoja-MT. O debate pretende traçar propostas concretas para o desenvolvimento do setor produtivo frente aos desafios econômicos atuais.

Além das autoridades nacionais, o painel de abertura conta com a visão internacional de Manuel Ron, presidente da Maizall. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o Instituto Pensar Agro (IPA) também terão assento à mesa de discussões. A mediação será conduzida pelo jornalista Cassiano Ribeiro, trazendo uma perspectiva técnica sobre as demandas do produtor.

DESTAQUE DO EVENTO: "Reunir o embaixador da China e o ministro da Agricultura mostra a dimensão estratégica do congresso. São tomadores de decisão que afetam o produtor diretamente", afirma Glauber Silveira.

A segurança alimentar e a inovação tecnológica compõem o segundo grande eixo do evento. Zhu Qingqiao dividirá o palco com Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária, e Mauro Murakami, presidente da CTNBio. O foco será o papel da biotecnologia e das normas sanitárias na garantia do abastecimento global de alimentos.

Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove, contribuirá com a análise econômica sobre o processamento de óleos vegetais e farelos. Como o milho é base para a nutrição animal, a integração com a indústria de óleos é um ponto determinante. A mediação deste bloco ficará sob a responsabilidade de Luís Patroni, profissional com ampla experiência na cobertura do setor.

O terceiro momento do congresso abordará a geopolítica, tema sensível diante das constantes mudanças nas relações internacionais. Grace Tanno, representante do Ministério das Relações Exteriores (MRE), discutirá como proteger o agronegócio de incertezas globais. A participação do Itamaraty aponta para o caráter de política de estado dado ao comércio de cereais.

A integração da CTNBio no debate sobre segurança alimentar é um ponto de interesse técnico para o produtor. A aprovação de novas tecnologias e variedades geneticamente modificadas é um fator que mantém o Brasil competitivo. O diálogo com o embaixador chinês nesse painel facilita o entendimento mútuo sobre padrões de biossegurança exigidos pelo comprador.

Sueme Mori e Maciel Silva, ambos da diretoria da CNA, trarão dados sobre a competitividade brasileira no exterior. A presença de executivos da iniciativa privada, como Márcio Farah, da Pivot Bio, e Arene Trevisan, da JBS, complementa o cenário. Eles devem abordar as necessidades logísticas e de suprimentos para manter o fluxo das exportações de carne e grãos.

O papel da JBS no painel geopolítico é relevante dado o volume de milho consumido pela indústria de proteína animal. Como o Brasil é um exportador líder de carnes, o milho deixa de ser apenas um grão para se transformar em valor agregado. A mediação de Mauro Zafalon garantirá uma análise aprofundada sobre as tendências de mercado e preços internacionais.

A presença de Manuel Ron, da aliança Maizall, traz a perspectiva dos principais exportadores mundiais de milho. Argentina, Brasil e Estados Unidos compõem este bloco que busca harmonizar normas de comércio e combater barreiras não tarifárias. O congresso servirá para alinhar o discurso desses grandes players perante o mercado consumidor global.

O sorgo, embora muitas vezes em segundo plano, ganha destaque nesta edição do congresso. Sua resiliência climática o torna uma opção interessante para o planejamento das safras de inverno no Cerrado. Lideranças da Abramilho defendem a expansão desta cultura como forma de diversificar a matriz produtiva e garantir matéria-prima para a indústria de etanol.

No campo da defesa agropecuária, a participação de Carlos Goulart é aguardada para esclarecer protocolos sanitários. A manutenção do status sanitário brasileiro é a garantia de que os portos chineses continuarão abertos para o grão nacional. O Ministério da Agricultura utiliza o espaço para alinhar as diretrizes de fiscalização com as expectativas dos produtores rurais.

Os detalhes operacionais do evento incluem o início das atividades pontualmente às 8h do dia 13 de maio. O público esperado engloba desde técnicos e engenheiros agrônomos até CEOs de grandes tradings e empresas de sementes. O endereço do Unique Palace, no Setor de Clubes Esportivos Sul, facilita o acesso de autoridades instaladas na capital federal.

As inscrições para o encontro já estão disponíveis através da plataforma Sympla para produtores e profissionais do setor. O Unique Palace possui infraestrutura para receber as delegações nacionais e internacionais. O evento será encerrado com as discussões técnicas do painel de geopolítica e mercado por volta das 14h.