Balança comercial: Brasil bate recorde de exportações para abril com US$ 34,1 bi
Publicado em 08/05/2026 11h40

Balança comercial: Brasil bate recorde de exportações para abril com US$ 34,1 bi

O Brasil registrou em abril de 2026 o maior valor de exportações para o mês na história (US$ 34,1 bi), impulsionado por um salto de 32,5% nas vendas para a China, garantindo um superávit de US$ 10,5 bilhões.
Por: Wisley Torales

O comércio exterior brasileiro vive um momento de pujança técnica e financeira. Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta quinta-feira (7), o Brasil alcançou um superávit de US$ 10,5 bilhões apenas em abril de 2026. O resultado é fruto de um volume recorde de exportações (US$ 34,1 bilhões), consolidando o país como um dos principais players globais no suprimento de matérias-primas e alimentos.

No acumulado do primeiro quadrimestre, o saldo positivo já atinge US$ 24,8 bilhões. Esse desempenho é sustentado majoritariamente pela China, que parece ignorar as incertezas globais para reforçar seus estoques de proteína e grãos brasileiros. Enquanto outros parceiros tradicionais pisaram no freio, Pequim acelerou, respondendo sozinha por um superávit de US$ 5,56 bilhões no mês.


Raio-X dos parceiros comerciais (abril/2026)

O cenário para o exportador brasileiro é de contrastes geográficos. Se por um lado a Ásia brilha, as Américas apresentam sinais de fadiga econômica e ajustes de mercado.

1. China: O motor do superávit

As vendas para o país asiático cresceram impressionantes 32,5% em abril. No acumulado do ano, o Brasil já enviou US$ 35,61 bilhões em mercadorias para os chineses. O apetite por commodities brasileiras — especialmente soja, minério e carne — mantém a corrente de comércio com o país em níveis recordes (US$ 17,66 bilhões no mês).

2. Argentina: Recuo no vizinho

O principal parceiro do Mercosul continua em trajetória de retração. As exportações brasileiras para a Argentina caíram 18,5% em abril. O ponto curioso é o aumento de 21,2% nas importações vindas de lá, o que encolheu o saldo comercial para apenas US$ 120 milhões no mês, evidenciando uma crise de consumo no país vizinho.

3. Estados Unidos e União Europeia: ajuste de rota

O comércio com os EUA enfrentou uma "tempestade perfeita" em abril, com queda tanto nas vendas (-11,3%) quanto nas compras (-18,1%). No ano, o saldo com os americanos é deficitário em US$ 1.36 bilhão. Já a União Europeia mantém a sobriedade: embora as vendas tenham caído levemente em abril, o acumulado de 2026 mostra crescimento de 6,5% nas exportações brasileiras para o bloco.


Comparativo de Desempenho (Jan-Abr 2026)

Parceiro Exportações (US$) Var. Export. (%) Saldo Comercial (US$)
China 35,61 bilhões +25,4% +11,65 bilhões
EUA 10,90 bilhões -16,7% -1,36 bilhão (Déficit)
União Europeia 16,97 bilhões +6,5% +1,43 bilhão
Argentina 4,74 bilhões -18,4% +810 milhões
TOTAL BRASIL 116,6 bilhões - +24,8 bilhões

Análise e tendência

A corrente de comércio brasileira, que soma US$ 208,3 bilhões no ano, revela uma "chinodependência" estratégica que, se por um lado garante faturamento recorde, por outro exige atenção diplomática e diversificação de mercados. O recorde de US$ 34,1 bilhões em exportações para um único mês de abril mostra que a logística brasileira está absorvendo o escoamento da safra 2025/26 com eficiência superior aos anos anteriores.

A manutenção do saldo positivo com a União Europeia, apesar das exigências ambientais cada vez mais rígidas, sugere que o agro brasileiro está conseguindo adaptar seus protocolos de conformidade para manter o acesso ao mercado europeu.