Citricultura avança em MS com R$ 1 bilhão em Ribas do Rio Pardo
Publicado em 01/06/2026 11h37

Citricultura avança em MS com R$ 1 bilhão em Ribas do Rio Pardo

Semadesc e municípios de MS apresentam projetos bilionários de citricultura na ExpoCitros 2026 para consolidar nova fronteira agrícola.
Por: Redação

A articulação entre o Governo de Mato Grosso do Sul e as administrações municipais estabelece um novo eixo de desenvolvimento econômico focado na citricultura de alta escala. Durante a ExpoCitros 2026, realizada no município de Cordeirópolis, no interior paulista, diversas delegações sul-mato-grossenses expuseram o planejamento regional que vem atraindo aportes bilionários para a Costa Leste do estado. A estratégia central baseia-se no apoio mútuo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

O movimento consolida Mato Grosso do Sul como a principal fronteira de expansão para a indústria de suco e cultivo de frutas no país. A migração de áreas de pastagens degradadas para pomares tecnificados redesenha a economia de municípios que antes dependiam exclusivamente da pecuária ou do setor de celulose. O suporte institucional oferecido pelo governo estadual atua como um imã para grandes conglomerados que buscam segurança jurídica e terras contíguas.

Ribas do Rio Pardo lidera investimentos com o Grupo Cambuí

O município de Ribas do Rio Pardo destaca-se neste cenário ao abrigar o maior projeto individual de citricultura do estado. O secretário municipal de Desenvolvimento, Luiz Antônio dos Reis, revelou os detalhes operacionais da iniciativa liderada pelo Grupo Cambuí, ligado à tradicional família Moreira Salles. O planejamento estratégico prevê a implantação de uma área superior a 5 mil hectares voltada especificamente para a produção de laranja industrial.

As equipes de campo executam o plantio em um ritmo constante, estipulado em aproximadamente 700 hectares a cada ano. O aporte total projetado para a consolidação desta estrutura ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, gerando impactos profundos na arrecadação local. Na fase de maior demanda por mão de obra, que envolve os tratos culturais e as safras, o projeto estima a abertura de cerca de 950 empregos diretos.

POTENCIAL TERRITORIAL EM RIBAS - O município dispõe de mais de 800 mil hectares de áreas de pastagem com aptidão para a citricultura, o que viabiliza a convivência harmônica com o polo de base florestal já consolidado na região.

A participação da administração de Ribas do Rio Pardo na feira de tecnologia paulista atendeu a um convite direto da Semadesc. O secretário-executivo Rogério Beretta coordenou a comitiva para expor as vantagens competitivas do estado. O prefeito Roberson Luiz Moreira assegurou as condições institucionais para que o município levasse suas potencialidades ao investidor nacional, destacando a existência de um polo industrial pronto para receber novas indústrias da cadeia produtiva.

Três Lagoas e a barreira sanitária na divisa com São Paulo

Outro polo que registra avanço acelerado no cultivo de citros é o município de Três Lagoas. Por estar localizado na divisa com o estado de São Paulo, o município encontra-se na principal área de risco epidemiológico para doenças vasculares. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Marcos Antônio Gomes Junior, apontou que a defesa sanitária exige um esforço integrado e permanente entre as instâncias governamentais.

A atenção das equipes técnicas concentra-se no combate rigoroso ao greening e à morte súbita dos citros. O plano de contingência municipal envolve a fiscalização rígida do comércio de mudas, a eliminação sumária de plantas infectadas e a orientação contínua aos produtores. As ações também alcançam os perímetros urbanos através de campanhas de conscientização sobre os riscos de contaminação presentes em pequenos pomares domésticos.

A CITROSUCO NA COSTA LESTE - Três Lagoas contabiliza cerca de 3,5 milhões de mudas plantadas e abriga operações em expansão da Citrosuco, que projeta alcançar aproximadamente 5 mil hectares cultivados na região.

O fomento à atividade estende-se aos pequenos produtores locais, que encontram na citricultura uma alternativa viável para diversificar a renda da propriedade rural. Marcos Antônio Gomes Junior relembrou os desdobramentos do Citrus Summit, evento técnico realizado em parceria com o governo estadual. O encontro funcionou como uma vitrine de negócios, despertando o interesse formal de novas empresas que planejam instalar bases de processamento na Costa Leste.

Legislação rígida e segurança fitossanitária

A segurança sanitária tornou-se o principal pilar de sustentabilidade para o agronegócio sul-mato-grossense. Como medida prática de proteção, o município de Ribas do Rio Pardo sancionou uma legislação específica que proíbe o plantio e a manutenção da murta em todo o território municipal. A espécie exótica atua como hospedeira do psilídeo, o inseto vetor responsável pela transmissão da bactéria do greening.

A erradicação preventiva desta planta conta com suporte técnico do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e envolve campanhas educativas. A fiscalização contra o trânsito de mudas irregulares e sem certificação de origem ganhou reforço operacional. O trabalho mobiliza a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, a Diretoria de Meio Ambiente e os fiscais agropecuários da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro).

O secretário-executivo Rogério Beretta argumenta que a expansão coordenada é fruto direto da união de esforços entre o governo estadual, as prefeituras e a iniciativa privada. O ambiente regulatório seguro, aliado ao monitoramento sanitário severo e ao suporte institucional, oferece a previsibilidade necessária para a consolidação de investimentos de longo prazo. O modelo de cooperação integrada visa transformar Mato Grosso do Sul na referência de produtividade citrícola sustentável.

Atualmente, Mato Grosso do Sul acumula mais de 35 mil hectares dedicados à citricultura em pleno processo de expansão regional. Os investimentos maciços de grandes corporações dividem espaço com projetos de agricultura familiar, estabelecendo uma cadeia de valor que gera empregos, eleva a arrecadação municipal e promove a diversificação da matriz produtiva no interior do estado.