O mercado internacional de grãos encerrou as operações diárias nas bolsas globais sob um forte viés de baixa. Os contratos futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago registraram perdas acentuadas, reflexo de uma combinação de fatores macroeconômicos e meteorológicos que elevaram o nível de cautela entre os fundos de investimento. Segundo os relatórios técnicos da consultoria TF Agroeconômica, o fechamento das operações evidenciou um descolamento entre as compras físicas correntes e a precificação dos ativos de longo prazo.
A desvalorização e o recuo de mercados correlacionados atuaram como vetores de pressão ao longo de toda a sessão de negócios. O contrato de soja com vencimento para julho, que serve de referência imediata para a comercialização da safra remanescente da América do Sul, encerrou o dia em baixa de 2,12%, o que representa um recuo de 24,50 cents por bushel, estabelecendo o valor de US$ 1.129,50. A posição estipulada para agosto acompanhou essa tendência negativa e registrou queda de 2,22%, encerrando a jornada cotada a US$ 1.132,50 por bushel.
Esse movimento de retração não ficou restrito ao grão em bruto e acabou contaminando os subprodutos esmagados pelas indústrias processadoras. O farelo de soja para entrega em julho recuou 2,21%, o equivalente a uma perda de US$ 7,10 por tonelada curta, fechando indexado em US$ 313,70. No segmento do óleo de soja, o recuo mostrou-se ainda mais agressivo para os investidores, registrando uma baixa de 3,07% na mesma posição de julho, cotado a US$ 76,29 por libra-peso, estendendo o prejuízo das companhias esmagadoras.
FECHAMENTO DOS CONTRATOS EM CHICAGO
Soja Julho: Baixa de 2,12% (US$ 1.129,50/bushel)
Soja Agosto: Queda de 2,22% (US$ 1.132,50/bushel)
Farelo Julho: Recuo de 2,21% (US$ 313,70/tonelada curta)
Óleo Julho: Retração de 3,07% (US$ 76,29/libra-peso)
Os analistas explicam que a desidratação dos preços decorre principalmente do andamento favorável dos trabalhos de campo na América do Norte. O plantio da safra dos Estados Unidos ingressa em sua reta final sob condições meteorológicas consideradas excelentes pelas agências oficiais. Com a regularidade das precipitações e temperaturas adequadas nas principais províncias produtoras do Meio-Oeste americano, os operadores financeiros optaram por retirar grande parte do prêmio de risco climático que estava embutido nos valores contratuais.
A acesso à estabilidade nos mercados de energia operou como pressão sobre o complexo de grãos. O petróleo bruto registrou perdas expressivas nas bolsas de Nova York e Londres, afetando a atratividade econômica do biodiesel fabricado a partir de óleos vegetais. Como o óleo de soja mantém uma correlação histórica com as oscilações do setor energético, a derrocada dos contratos de combustíveis fósseis acabou arrastando os subprodutos derivados da oleaginosa.
Pelo lado da demanda global por alimentos, o relatório semanal de exportações publicado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe números dentro das expectativas das mesas de commodities. As vendas líquidas combinadas de soja norte-americana totalizaram 519,90 mil toneladas no intervalo analisado pela agência federal. Desse volume consolidado, as vendas referentes à safra antiga, correspondente ao ciclo de comercialização 2025/2026, responderam por 276,90 mil toneladas negociadas com os importadores.
O acumulado do atual ciclo comercial dos Estados Unidos aponta para uma desaceleração nas vendas globais. O volume totalizado atinge 39,95 milhões de toneladas, revelando uma retração de 17,68% frente ao mesmo período do ano anterior. A China comprou 74,80 mil toneladas na semana, aproximando-se da meta de 12 milhões de toneladas da produção norte-americana. Contudo, o mercado monitora a possibilidade de novas tarifas sobre parceiros estratégicos, trazendo temores de retaliações aduaneiras semelhantes às ocorridas no ano passado.
Na América do Sul, a oferta física da oleaginosa continua ingressando nos canais de escoamento e de distribuição logísticas. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve a estimativa para a colheita da safra argentina fixada em 50,10 milhões de toneladas, anotando que 91,7% da área total semeada no país vizinho já foi colhida pelas máquinas rurais. No território brasileiro, o Ministério da Economia informou que as exportações nacionais de soja em grão somaram 14,9 milhões de toneladas em maio, registrando um avanço de 5,1% sobre o volume embarcado em maio de 2025.