Corrida contra salvaguardas faz China disparar compra de carne em 39%
Publicado em 08/06/2026 10h34

Corrida contra salvaguardas faz China disparar compra de carne em 39%

Em maio de 2026, o Brasil exportou 297 mil toneladas de carne bovina ao faturar US$ 1,83 bilhão, devido à aceleração de compras da China.
Por: Wisley Torales

O mercado internacional de proteína animal registrou forte aquecimento nos embarques brasileiros de carne bovina em maio de 2026. Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), revelam o envio de 297 mil toneladas ao exterior. O volume indica expansão de 17,8% frente às 252 mil toneladas de maio do ano passado e ganho de 2,9% sobre o total computado em abril.

A receita obtida atingiu US$ 1,83 bilhão no mês, crescimento de 6,5% frente ao faturamento de abril. O avanço liga-se à melhora nos preços internacionais pagos aos frigoríficos brasileiros. O valor médio da tonelada exportada alcançou US$ 6.163 no fechamento de maio, o que corresponde a uma alta de 3,5% sobre as cotações vigentes no período anterior.

BALANÇO DA CARNE BOVINA (MAIO/2026)

  • Volume: 297 mil toneladas (+17,8% vs maio/2025).

  • Faturamento: US$ 1,83 bilhão (+6,5% vs abril).

  • Preço médio: US$ 6.163 por tonelada (+3,5% vs abril).

  • In natura: Respondeu por 93,1% da receita mensal.

Aceleração das compras do mercado chinês

A China manteve a liderança isolada entre os destinos da proteína nacional. Os importadores asiáticos adquiriram 157,6 mil toneladas em maio, gerando faturamento de US$ 1,06 bilhão. Se confrontado com maio de 2025, o volume físico enviado ao país exibiu salto de 39,6%, consolidando a forte representatividade do mercado parceiro.

Essa intensa movimentação fez com que o mercado chinês respondesse por 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês. A aceleração nas compras associa-se a um movimento de antecipação dos operadores asiáticos. As tradings intensificaram embarques para internalizar os lotes antes da entrada em vigor de novas medidas de salvaguarda anunciadas pela China para o setor.

O predomínio do comprador asiático também se manifesta no balanço acumulado do ano. De janeiro a maio, os desembarques na China totalizaram 631,9 mil toneladas, com receita de US$ 3,78 bilhões. Os indicadores mostram que o país absorveu 45,5% do volume e gerou 48% do faturamento da pecuária de corte nacional no período, alta de 27,8% em toneladas sobre 2025.

O posicionamento dos Estados Unidos e demais destinos

Os Estados Unidos preservaram a segunda colocação na pauta de exportações, atuando como compradores estratégicos. O mercado norte-americano importou 28,8 mil toneladas em maio, gerando receita de US$ 195,6 milhões. Na comparação anual com maio do ano passado, as indústrias brasileiras registraram crescimento de 5,1% no volume físico despachado.

A lista de compradores na pauta mensal inclui a Rússia, com a aquisição de 13,7 mil toneladas e US$ 66,5 milhões faturados. O Chile ocupou a posição seguinte ao absorver 8,5 mil toneladas, movimentando desembolsos de US$ 52,7 milhões, enquanto a União Europeia fechou o grupo de principais destinos de maio com a importação de 8,3 mil toneladas, somando US$ 77,5 milhões.

No perfil das mercadorias vendidas ao mercado externo, os cortes do tipo carne bovina in natura exerceram dominância absoluta nos frigoríficos. A categoria respondeu por 88,2% de todo o volume físico embarcado de norte a sul do país, obtendo participação ainda maior na receita mensal ao responder por 93,1% do faturamento global das indústrias, somando US$ 1,7 bilhão.

Indicadores consolidados do acumulado anual

Ao expandir o horizonte analítico para os primeiros cinco meses de 2026, os dados revelam solidez nas vendas internacionais. O país exportou o montante acumulado de 1,388 milhão de toneladas de carne bovina entre janeiro e maio, estabelecendo expansão de 15,3% frente ao desempenho do mesmo intervalo de 2025, quando somou 1,204 milhão de toneladas.

A receita acumulada pelo setor pecuário nos cinco meses atingiu a marca de US$ 7,88 bilhões. Os dados revelam valorização nos preços médios recebidos pelos exportadores, que saltaram de US$ 4.824 por tonelada no balanço anterior para US$ 5.677 por tonelada no ciclo corrente. O reajuste nas cotações internacionais reflete o bom posicionamento do produto nacional no exterior.

No acumulado, os EUA garantiram o segundo lugar com 178,6 mil toneladas e receita de US$ 1,16 bilhão, alta de 14,8%. O Chile importou 58 mil toneladas movimentando US$ 339,2 milhões, expansão de 16,0%.

A Rússia registrou 54,1 mil toneladas e faturamento de US$ 245,2 milhões, avanço de 33,7%. A União Europeia importou 43 mil toneladas com receita de US$ 377,2 milhões, expansão de 24,0%, refletindo a inserção em mais de 177 destinos internacionais que garantem estabilidade ao setor segundo a ABIEC.