El Niño ameaça safra de soja em MT e Imea projeta queda de 5,2%
Publicado em 23/06/2026 10h32

El Niño ameaça safra de soja em MT e Imea projeta queda de 5,2%

Devido ao El Niño, o Imea estima a safra 2026/27 de soja em Mato Grosso em 48,88 milhões de toneladas, um recuo de 5,20% pela ameaça de veranicos.
Por: Redação

A confirmação do El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) acendeu o sinal de alerta para a agricultura do Centro-Oeste. O monitoramento climático indica alterações no regime de chuvas, trazendo instabilidade para a safra de grãos 2026/27 no principal estado produtor do país.

Conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o aquecimento das águas oceânicas interfere na regularidade das precipitações sobre o Centro-Oeste, o Norte e o Matopiba. O fenômeno concentra os maiores volumes acumulados na Região Sul, enquanto impõe períodos prolongados de estiagem e distribuição irregular de umidade sobre Mato Grosso.

Diante dessas projeções climáticas adversas, o Imea revisou as estimativas para o próximo ciclo da oleaginosa. A estimativa atual para a produção total de soja em Mato Grosso aponta para o montante de 48,88 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que representa uma retração de 5,20% quando o volume é confrontado com os resultados da temporada anterior.

Os reflexos agronômicos do El Niño tendem a elevar a ocorrência de veranicos nos períodos de semeadura e diferenciação celular das plantas. O risco iminente de déficit hídrico em microrregiões importantes do estado motivou o reajuste nos cálculos de rendimento, cuja concretização final dependerá diretamente da intensidade do bloqueio atmosférico.

Projeções Estruturais para a Safra de Soja 2026/27 em MT:

  • Volume de produção estimado: 48,88 milhões de toneladas;

  • Redução projetada no volume total: 5,20% em relação ao ciclo anterior;

  • Produtividade média calculada: 62,44 sacas por hectare;

  • Área de cultivo projetada no estado: 13,05 milhões de hectares.

O rendimento médio está projetado em 62,44 sacas por hectare, patamar condizente com o histórico de estresse térmico regional. O plantio deve cobrir uma área estimada em 13,05 milhões de hectares, demonstrando estabilidade na intenção de semeadura.

Enquanto o clima gera cautela no campo, o mercado físico registrou reações positivas. O Indicador IMEA para a soja apresentou valorização de 0,87% na semana, encerrando o período com média de R$ 106,73 por saca de 60 quilos, estabelecendo o maior valor financeiro registrado para a commodity desde o início do ano de 2026.

Na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato corrente operou em alta de 0,88%, cotado na média de US$ 11,26 por bushel. A movimentação externa foi pautada pelos rumores de novas aquisições de lotes norte-americanos por parte de tradings estatais da China, deslocando o interesse comercial dos compradores mundiais.

O reflexo dessa conjuntura nos portos nacionais impulsionou o Prêmio Santos, indicador que mede o ágio pago pelo grão brasileiro nos terminais. O prêmio registrou alta de 10,84% no período, fechando os negócios na média de 103,75 centavos de dólar por bushel, reflexo direto do aumento na busca por contratos de exportação imediatos.

"O salto nos prêmios portuários compensa as flutuações cambiais e garante liquidez ao produto mato-grossense, mesmo diante de um cenário de retração externa nos preços de derivados industriais", aponta a análise de conjuntura do mercado físico do Imea.

Nos coprodutos, os preços divergiram no exterior: o farelo valorizou 0,61% (US$ 303,59/t), enquanto o óleo recuou 3,25% (US$ 72,28/lb), pressionado pela desvalorização dos contratos futuros do petróleo do tipo Brent.

O recuo na energia ocorreu após acordos entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz. Em Mato Grosso, os subprodutos operaram em baixa: o farelo caiu 0,70% (R$ 1.535,00/t) e o óleo recuou 0,20% (R$ 5.871,60/t).

A comercialização da safra corrente 2025/26 atingiu o índice de 81,04% em junho. Para o ciclo futuro 2026/27, sob a influência direta dos alertas meteorológicos do El Niño, as vendas antecipadas registraram evolução moderada, atingindo a marca de 18,49% da produção estimada em Mato Grosso.