
A formação acadêmica em ciências agrárias ganha um mecanismo de referência e refinamento prático para atender às exigências do mercado no Centro-Oeste. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar/MS) estruturou uma imersão profissional que prepara estudantes universitários dos períodos finais para os desafios reais da assistência técnica nas propriedades sul-mato-grossenses.
A iniciativa atua diretamente nas lacunas deixadas pelas matrizes curriculares tradicionais das universidades, que costumam priorizar os aspectos clínicos em detrimento das ferramentas de governança. O contato com o ambiente produtivo e com as rotinas de planejamento transforma a visão dos futuros profissionais, permitindo que eles compreendam a engrenagem econômica que sustenta o agronegócio de alta performance.
Um exemplo claro desse processo é o estudante Victor Calvis de Oliveira, de 29 anos, acadêmico do nono semestre de Medicina Veterinária. Vindo de uma realidade totalmente urbana e sem vínculos familiares anteriores com o campo, o estudante inicialmente manifestava interesse pelo segmento de equinos, mas acabou direcionando sua vocação para a bovinocultura de corte ao conhecer as atividades da instituição rural.
O programa Academia de Talentos funciona como uma plataforma de transição acelerada entre as salas de aula e as pastagens. A estrutura exige uma carga horária total de 162 horas de atividades distribuídas ao longo de um semestre letivo, sendo voltada para estudantes matriculados no penúltimo ou no último ano da faculdade.
A grade abrange temas estratégicos da economia rural, como Planejamento Agrícola, Mercado de Commodities e metodologias de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) aplicadas aos segmentos de corte, leite e suinocultura. O conteúdo contempla também o aperfeiçoamento de habilidades comportamentais, ensinando os jovens a lidarem com a pressão e a estabelecerem uma comunicação assertiva com os produtores.
"A instituição me ajudou a entender que eu precisava saber um pouco mais de gestão, uma área que não aprendemos na faculdade. Conhecer essa sistemática e a metodologia corporativa me deixou muito mais preparado para ingressar no mercado de trabalho", avalia o universitário Victor Calvis de Oliveira ao relatar sua experiência no treinamento.
O ingresso no treinamento facilitou a inserção de Victor no mercado por meio de uma oportunidade de estágio supervisionado. A rotina do futuro médico-veterinário divide-se entre o acompanhamento dos atendimentos diretamente nas fazendas e a execução de atividades em ambiente de escritório, onde atua na organização e tabulação das métricas zootécnicas das propriedades.
Essa jornada consolida a percepção de que a assistência técnica moderna depende de diagnósticos precisos sustentados por dados confiáveis. No escritório, o estagiário realiza a curadoria detalhada de planilhas de ganho de peso e taxas de prenhez, transformando números brutos em relatórios gerenciais que balizam as decisões dos pecuaristas assistidos pela instituição.
"Trazer para esses novos futuros profissionais a metodologia que a instituição emprega no campo constitui a maior vantagem do projeto. Conseguimos moldar o aluno que está próximo de se formar de forma adequada para o serviço que a pecuária moderna exige", destaca o supervisor de estágio Armando Araújo Neto, atuante na ATeG Bovinocultura de Corte.
A integração entre os escritórios e as frentes de campo acelera a maturação dos acadêmicos, reduzindo o tempo de adaptação quando eles assumem contratos de consultoria. Os participantes que concluem o ciclo de seis meses recebem certificação e passam a integrar o banco de talentos consultivos, estando aptos para atuar nos escritórios locais de assistência gerencial de Mato Grosso do Sul.