Plano Safra injeta R$ 525,1 bilhões e corta juros do agro nacional
Publicado em 30/06/2026 11h17

Plano Safra injeta R$ 525,1 bilhões e corta juros do agro nacional

O Governo Federal lançou nesta terça-feira em Brasília o Plano Safra 2026/2027, liberando R$ 525,1 bilhões com juros menores para a agricultura.
Por: Leonardo Gottems

A liberação de R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial marca o início do ciclo do Plano Safra 2026/2027, anunciado oficialmente nesta terça-feira (30) no Palácio do Planalto, em Brasília. O montante representa um incremento de R$ 9 bilhões em relação ao período anterior, estruturado para aproveitar o ciclo de queda da taxa Selic e reduzir o custo do crédito financeiro oferecido a médios e grandes produtores rurais.

De acordo com as diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a redução nos tetos de juros atinge a maioria das linhas de financiamento, oferecendo maior margem para o planejamento das fazendas brasileiras. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que atende uma fatia expressiva da cadeia produtiva, teve a sua taxa máxima fixada em 9% ao ano, estabelecendo um patamar mais acessível em relação à safra passada.

As linhas destinadas à modernização e à infraestrutura também acompanharam o movimento de retração dos juros. O programa RenovAgro e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) passam a operar com taxa de 9,5% ao ano. Para os projetos de armazenagem de menor porte, que envolvem volumes de até 12 mil toneladas, as taxas foram reduzidas para 8,0% ao ano, facilitando o acesso para estruturas regionais de estocagem.

Taxas de custeio e maquinário: O Custeio Empresarial e as contratações do Moderfrota mantêm a taxa de 12,5% ao ano, enquanto o programa Inovagro foi estabelecido em 11,5% ao ano para este ciclo econômico.

A grade de juros divulgada pelo Mapa detalha os incentivos para a recuperação produtiva e irrigação. O RenovAgro Ambiental e as ações voltadas para a Recuperação e Conversão de Pastagens terão juros de 8,5% ao ano. Já os programas Proirriga e as linhas de Investimento Empresarial operam em 11,5%, enquanto o Prodecoop e o Procap-Agro ficam em 12%, restando ao Moderfrota Pronamp a taxa de 11,5% ao ano.

Mudança de foco para o investimento

A divisão dos recursos revela uma alteração significativa na estratégia de distribuição do crédito federal. O custeio e a comercialização absorvem R$ 384,9 bilhões da dotação orçamentária, verba voltada para a aquisição de insumos, tratos culturais e manejo pecuário. A grande novidade do ciclo reside no fortalecimento do setor de investimentos, que salta para R$ 140,2 bilhões nesta nova temporada.

Essa transição fica evidente na comparação direta com o ciclo de 2025/2026, quando o custeio concentrava R$ 414,7 bilhões e os investimentos contavam com R$ 101,5 bilhões. O ministério prioriza o desenvolvimento de longo prazo, permitindo que o agricultor adquira novas tecnologias e melhore a capacidade técnica das suas fazendas sem comprometer o fluxo de caixa do dia a dia.

No recorte feito por perfis de beneficiários, o Pronamp amplia o seu espaço de captação e passa a contar com R$ 72,6 bilhões, contra os R$ 69,1 bilhões da edição anterior. Os demais produtores e as cooperativas agropecuárias dividem o montante restante de R$ 452,5 bilhões, compondo a engenharia financeira desenhada pelo governo para o atendimento integrado da cadeia de suprimentos.

Sustentabilidade e controle de risco

Os incentivos ambientais ganham regras de execução bem definidas no novo desenho orçamentário. Os produtores que mantiverem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado garantem um abatimento de 0,5 ponto percentual nos juros do custeio. Esse benefício pode ser dobrado caso a propriedade comprove a adoção de práticas agrícolas sustentáveis, atingindo um desconto acumulado de até 1,0 ponto percentual.

Bônus de sustentabilidade: A combinação entre o CAR regularizado e o manejo sustentável das lavouras possibilita uma redução direta de até 1,0 ponto percentual na taxa final de juros das operações de custeio.

A governança dos riscos climáticos e de mercado também ganhou novas exigências nesta virada de ciclo. A partir de agora, a renegociação de dívidas ou de contratos de custeio agrícola fica condicionada à contratação prévia do Proagro ou de apólices de seguro rural. A medida visa reduzir a necessidade de pacotes emergenciais de socorro financeiro após quebras de safra provocadas por intempéries severas.

O estímulo à modernização energética das fazendas é um dos pontos altos do programa InvestAgro. O governo atualizou as regras para ampliar o financiamento de sistemas de energia renovável, englobando projetos de matriz fotovoltaica, biomassa, energia eólica, cogeração e sistemas modernos de armazenamento elétrico, aliviando os custos de produção no campo.

O encerramento do plano de distribuição logística contempla verbas exclusivas para a infraestrutura de estocagem, focando na construção e expansão de câmaras frias e silos. A liberação do crédito ocorre por meio de uma combinação de recursos controlados, fontes equalizadas e captações diretas no mercado financeiro nacional para sustentar o atendimento a diferentes portes empresariais.