Mercado de títulos sustentáveis expõe falhas
Publicado em 06/07/2026 02h00

Mercado de títulos sustentáveis expõe falhas

A pesquisa avaliou 22 instituições financeiras.
Por: Leonardo Gottems

O mercado brasileiro de títulos ligados a critérios ambientais, sociais e de governança ainda apresenta falhas relevantes na análise de riscos socioambientais. Estudo da Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis mostra que instituições financeiras e empresas dos setores agropecuário e elétrico permanecem distantes das salvaguardas mínimas previstas pela Taxonomia Sustentável Brasileira.

A pesquisa avaliou 22 instituições financeiras, 37 empresas de agropecuária, alimentos, bebidas e biocombustíveis e 32 companhias do setor elétrico com emissões entre 2021 e 2025. Entre os bancos, a média foi de 4,2 das 24 diligências consideradas essenciais, o equivalente a 17,5%. Nenhuma das 18 instituições com operações aplicáveis verificava a cadeia de fornecedores das empresas beneficiárias.

A consulta ao cadastro de empregadores envolvidos com trabalho análogo à escravidão foi a prática mais comum, presente em 83,3% das instituições. Já as verificações de desmatamento, embargos e infrações ambientais apareceram em poucos casos.

No agronegócio, as empresas realizavam, em média, três das 24 diligências recomendadas, ou 12,5%. Nenhuma consultava processos judiciais socioambientais ou investigações do Ministério Público sobre fornecedores. Auditorias, visitas presenciais e pesquisas de mídia também eram pouco utilizadas.

No setor elétrico, o levantamento apontou pouca atenção a riscos climáticos, biodiversidade e comunidades afetadas. Quase metade das companhias possuía investigações ou procedimentos no Ministério Público.

Para a SIS, o crescimento do mercado não foi acompanhado por controles capazes de reduzir o risco de greenwashing. A entidade defende critérios mais rigorosos de elegibilidade, diligência e monitoramento para alinhar as emissões à taxonomia brasileira.