O mercado de milho entra em uma fase de transição, com sinais de estabilização no Brasil e recuperação no exterior. Segundo a TF Agroeconômica, o momento exige cautela na comercialização e uso de proteção, diante da oferta elevada, da volatilidade climática e da expectativa de avanço das exportações.
Para os agricultores, a recomendação é evitar vendas agressivas, principalmente quando as cotações estiverem abaixo do custo de produção. Altas provocadas por problemas climáticos nos Estados Unidos podem ser aproveitadas para negociar parte da safra. Quem possui armazenagem pode manter milho estocado para buscar preços melhores no segundo semestre e ampliar o uso de hedge quando Chicago se aproximar de níveis de resistência.
As cooperativas devem priorizar compras escalonadas, aproveitar a oferta da colheita para formar estoques e reforçar as operações de proteção em Bolsa. Também é indicado preparar a logística para uma possível aceleração das exportações.
Para cerealistas, a orientação é evitar estoques excessivos e concentrar compras em momentos de pressão da colheita. O acompanhamento da demanda externa será decisivo, pois um aumento dos embarques pode reduzir a oferta interna.
As indústrias de ração ainda encontram oportunidade para alongar parcialmente a cobertura de matéria-prima. A recomendação é ampliar as compras gradualmente enquanto os preços permanecem próximos dos custos de produção, sem depender apenas de novas quedas. Uma piora no clima norte-americano pode provocar reação rápida das cotações.
O cenário aponta para um mercado lateral, com recuperação gradual. A safrinha continua limitando os preços, mas a resistência dos produtores em vender abaixo do custo e a expectativa de maior ritmo das exportações começam a formar um piso para as cotações.