Embarques de frango sobem 40% em junho e batem recorde histórico
Publicado em 06/07/2026 10h00

Embarques de frango sobem 40% em junho e batem recorde histórico

A ABPA informou nesta segunda-feira que as exportações de frango do Brasil atingiram recorde histórico de 2,936 milhões de toneladas no semestre.
Por: Wisley Torales

O balanço consolidado do comércio exterior brasileiro de proteína animal fechou a primeira metade de 2026 com marcas sem precedentes. O avanço sanitário das granjas nacionais permitiu ao país expandir seus canais de escoamento, consolidando a liderança global em um período de reorganização das rotas marítimas.

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques de carne de frango totalizaram 482,8 mil toneladas em junho, somando produtos in natura e processados. O resultado representa expansão de 40,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando os portos registraram 343,4 mil toneladas.

A receita obtida com as vendas externas de junho atingiu US$ 985,5 milhões, valor 54,7% superior aos US$ 637 milhões computados no mesmo mês da temporada de 2025. Esse forte desempenho mensal impulsionou o balanço do primeiro semestre, estabelecendo o melhor resultado da história das exportações brasileiras do setor.

Desempenho acumulado no ano

No acumulado de janeiro a junho de 2026, o volume total enviado ao mercado internacional alcançou 2,936 milhões de toneladas, superando em 12,9% as 2,600 milhões de toneladas movimentadas no mesmo intervalo do ano passado. O avanço demonstra a alta aceitação da proteína nacional nos principais polos consumidores globais.

Faturamento recorde no semestre: A receita gerada pelas exportações de carne de frango atingiu US$ 5,700 bilhões na primeira metade do ano, estabelecendo uma evolução de 17% em relação aos US$ 4,871 bilhões consolidados no primeiro semestre do ciclo anterior.

A evolução reflete a valorização do produto brasileiro nos mercados mais exigentes, que remuneram a segurança sanitária oferecida pelas agroindústrias. O alinhamento entre as auditorias internacionais e os órgãos de defesa vegetal e animal assegura o fluxo contínuo de navios rumo aos grandes centros urbanos do planeta.

Reorganização de mercados e destinos

No mapeamento dos compradores em junho, a China permaneceu na liderança, absorvendo 50,1 mil toneladas do total embarcado. Na sequência aparecem o Japão, com 46,6 mil toneladas, os Emirados Árabes Unidos, com 46,2 mil toneladas, e a Arábia Saudita, que respondeu pela compra de 33,1 mil toneladas.

A lista inclui ainda a União Europeia, com 28 mil toneladas, a África do Sul, com 26,3 mil toneladas, e o México, com 25,4 mil toneladas. Completam o grupo a Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas, as Filipinas, com 12,5 mil toneladas, e Singapura, registrando o recebimento de 12 mil toneladas.

Ajuste na base comparativa: As variações percentuais acentuadas vistas em alguns mercados decorrem da baixa base de comparação de junho de 2025, período que enfrentou restrições temporárias por conta de um caso isolado e superado de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em granja comercial.

As tensões geopolíticas no Oriente Médio adicionaram desafios operacionais para a logística internacional. Os conflitos geraram entraves nas rotas de navegação próximas ao Estreito de Ormuz, forçando as companhias a reestruturarem as escalas de viagem e a recalcularem os custos de frete para o continente asiático.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destaca que os resultados recordes apontam a competitividade do sistema produtivo nacional. O dirigente salienta que a diversificação da carteira permitiu amortecer os impactos dos gargalos logísticos mundiais, abrindo espaço para a consolidação de oportunidades em mercados emergentes.

Liderança regional nos embarques

A análise por estados revela a concentração da atividade avícola na região Sul, que se beneficia da proximidade com portos especializados. O Paraná manteve a liderança nacional isolada, respondendo pelo despacho de 199,3 mil toneladas em junho, uma expansão de 48,2% sobre o ano anterior.

Santa Catarina consolidou a segunda posição no ranking dos exportadores, registrando o envio de 103,3 mil toneladas no mês. O Rio Grande do Sul ocupou o terceiro posto com 56,7 mil toneladas, seguido de perto pelas indústrias de São Paulo, com 29,9 mil toneladas, e pelas plantas de Goiás, que movimentaram 29,4 mil toneladas do produto.