Boi gordo abre semana estável em SP e carcaça cai no atacado
Publicado em 14/07/2026 10h32

Boi gordo abre semana estável em SP e carcaça cai no atacado

Nesta segunda-feira, a estabilidade do boi gordo em São Paulo e a queda de até 5,2% na carne com osso marcaram o início da quinzena no atacado.
Por: Redação

O início da segunda quinzena de julho de 2026 desenha um cenário de acomodação para o mercado pecuário brasileiro, combinando escalas confortáveis nos frigoríficos e um escoamento lento na ponta final da cadeia. A pressão típica desse período, caracterizado pela redução natural do poder de compra dos consumidores, reflete-se na cautela demonstrada pelas indústrias processadoras na abertura das negociações semanais.

De acordo com o informativo técnico "Tem Boi na Linha", divulgado pela Scot Consultoria nesta segunda-feira (13), as cotações para o boi gordo mantiveram a estabilidade no estado de São Paulo. Diversas unidades compradoras optaram por permanecer fora das operações de compra durante a manhã, enquanto os estabelecimentos ativos preferiram trabalhar utilizando as mesmas bases de preço registradas na sexta-feira anterior.

Esse posicionamento defensivo da indústria frigorífica encontra respaldo no atual preenchimento das escalas de abate, que apresentam média de sete dias de programação na praça paulista. Com os cronogramas de processamento garantidos para o decorrer da semana, as empresas evitam pressionar o mercado físico com ofertas agressivas, limitando os negócios e mantendo o fluxo de entrada sob controle.

Equilíbrio nas escalas de abate: Os frigoríficos paulistas iniciam o período com escalas médias de sete dias, permitindo que as empresas administrem suas necessidades imediatas de matéria-prima sem pressionar as cotações.

A tendência de estabilidade observada no Sudeste também se estende para outras praças do território nacional. No mercado de Alagoas, as avaliações da Scot Consultoria apontam que todas as categorias de animais terminados iniciaram a semana sem alterações de preço, refletindo um quadro de equilíbrio estável entre a oferta regional de gado e a demanda local.

No entanto, a calmaria observada no mercado do boi em pé destoa do comportamento registrado nos canais de distribuição de carne com osso. No atacado, o início da segunda metade do mês forçou uma desvalorização das carcaças, uma vez que o ritmo das vendas no varejo permaneceu lento e os estoques precisaram de ajustes rápidos para evitar o acúmulo de produto perecível nas câmaras.

Os distribuidores atuaram de forma moderada, calibrando suas compras diárias para não sobrecarregar as estruturas de armazenamento em um momento de consumo doméstico retraído. Essa cautela resultou em reduções nas tabelas de preços de carcaças de machos e fêmeas, expondo as dificuldades de repasse enfrentadas pelas indústrias de refino.

Retração nos preços das carcaças: A necessidade de manter os estoques ajustados à lentidão do varejo provocou quedas de até 5,2% no valor das carcaças negociadas no mercado atacadista paulista.

Entre as categorias de machos, a carcaça casada do boi capão registrou uma depreciação de 3,5%, o que representa um recuo de R$ 0,80 por quilo no atacado. O boi inteiro sofreu uma desvalorização de 4,3%, o correspondente a uma redução de R$ 0,95 por quilo em relação ao fechamento da semana anterior.

O mercado de fêmeas enfrentou pressões de baixa ainda mais intensas. A carcaça casada de vaca registrou queda de 5,1%, significando um recuo de R$ 1,10 por quilo, enquanto a carcaça de novilha liderou as perdas com retração de 5,2%, representando uma desvalorização de R$ 1,15 por quilo nas distribuidoras paulistas.

Esse recuo contrasta com a valorização verificada em outras fontes de proteína de consumo diário. O levantamento identificou que a cotação do frango médio no atacado avançou 3,7%, registrando acréscimo de R$ 0,23 por quilo, enquanto o suíno especial permaneceu estável nas granjas integradas de abate e no varejo tradicional.