A soja lembra da seca?
Publicado em 15/07/2026 07h00

A soja lembra da seca?

Na soja, esse mecanismo pode tornar a reação ao déficit hídrico mais rápida.
Por: Leonardo Gottems

A capacidade das plantas de responder de forma diferente a uma nova seca após uma experiência anterior de estresse tem ampliado o interesse pela epigenética e pela memória fisiológica. Segundo Braitner L. Andrade, especialista em estratégia e desenvolvimento de mercado, essa resposta ocorre não por uma mudança no DNA, mas por alterações na forma como determinados genes são lidos e ativados.

Na soja, esse mecanismo pode tornar a reação ao déficit hídrico mais rápida e eficiente. Um estudo citado pelo especialista mostrou que o pré-tratamento com extrato de Ascophyllum nodosum promove fechamento estomático parcial e modifica a expressão de genes ligados ao ABA e ao sistema antioxidante, contribuindo para maior tolerância à falta de água.

Outro ponto de destaque envolve genes relacionados à síntese de prolina, um dos principais osmoprotetores das plantas. Durante a seca, esses genes podem permanecer em estado de prontidão mesmo depois da reidratação, indicando que a planta pode conservar marcas de uma experiência fisiológica anterior.

Essa compreensão também muda a lógica do manejo, que passa a considerar não apenas a redução dos danos da seca, mas a preparação da planta antes que o estresse ocorra. Nesse contexto, bioestimulantes, ácidos húmicos, aminoácidos e potássio podem atuar de forma integrada em processos ligados à resposta fisiológica, ao metabolismo, ao ajuste osmótico e ao funcionamento estomático.

A inteligência artificial pode contribuir ao identificar padrões de resposta em milhares de talhões submetidos a condições semelhantes. Esses dados podem levantar hipóteses sobre mecanismos fisiológicos que depois serão investigados pela pesquisa, ampliando a compreensão sobre como a experiência da planta influencia seu comportamento diante de novos estresses.