EUA isentam café do Brasil e protegem US$ 2,5 bilhões em envios
Publicado em 17/07/2026 11h34

EUA isentam café do Brasil e protegem US$ 2,5 bilhões em envios

Na quinta-feira, o governo dos EUA isentou o café brasileiro de uma tarifa de 25%, protegendo até US$ 2,5 bilhões em exportações anuais da safra.
Por: Redação

A movimentação diplomática e comercial entre o Brasil e os Estados Unidos registrou um desfecho favorável para os exportadores nacionais. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) promoveu uma reavaliação das barreiras alfandegárias associadas à Seção 301, estendendo formalmente o regime de isenção tributária para todas as categorias do produto de origem brasileira.

O anúncio altera de forma direta o planejamento estratégico das tradings que atuam nos portos nacionais, removendo o temor de uma taxação de 25% sobre as vendas externas. Conforme os dados consolidados no relatório diário divulgado pela consultoria Datagro, o recuo de Washington introduz um viés baixista de curto prazo para as cotações internacionais da commodity nas bolsas de mercadorias.

A inclusão do café solúvel não aromatizado na lista de isenções é apontada como um dos resultados mais expressivos obtidos pelas representações brasileiras. Esse segmento industrial específico vinha sendo alvo de intensos debates e questionamentos técnicos durante as audiências públicas promovidas pela representação de comércio americana no decorrer dos dias 6 e 7 de julho.

A decisão desonera um canal logístico importante e afasta os riscos de perda de competitividade das indústrias de refino no Hemisfério Norte. Com os portos abertos e livres do imposto adicional, os escritórios de corretagem ganham flexibilidade para fechar novos contratos de fornecimento, aproveitando as janelas de transporte marítimo sem sobressaltos tributários na costa americana.

Proteção de faturamento bilionário nos portos

A exclusão definitiva da taxa reflete o sucesso da coordenação de argumentos apresentados pelas lideranças do setor produtivo brasileiro. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que a determinação do governo americano coloca sob salvaguarda um fluxo financeiro de extrema relevância para as cooperativas.

Faturamento protegido no mercado externo: Os relatórios das entidades de classe apontam que a isenção tarifária outorgada pelos Estados Unidos protege exportações consolidadas da ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano.

Os Estados Unidos figuram tradicionalmente como o maior consumidor e importador mundial do café manufaturado em solo brasileiro. As redes de distribuição e indústrias americanas absorvem o produto para incorporação em blends comerciais, dependendo do ritmo regular de envios dos terminais portuários de Santos e do Rio de Janeiro para suprir a demanda de suas plantas industriais.

A desoneração aduaneira melhora a comercialização e o consumo do produto ao longo da safra 2026/2027, período que teve início oficial em julho. Ao remover um entrave regulatório que encareceria o produto nas gôndolas, o agronegócio nacional ganha estabilidade para escoar os lotes da colheita recente, assegurando o preenchimento dos contratos firmados para os próximos meses.

Os desdobramentos da segunda investigação

Apesar do ambiente favorável estabelecido pela resolução do USTR, as empresas exportadoras do país mantêm o monitoramento das políticas alfandegárias de Washington. Uma segunda investigação fundamentada nos parâmetros da Seção 301 segue em andamento nas agências reguladoras norte-americanas, exigindo atenção contínua das áreas jurídicas das corporações.

Este processo de auditoria paralelo possui potencial técnico para instituir uma tarifa adicional de 12,5% sobre o café brasileiro exportado aos Estados Unidos. O imposto complementar, caso seja aprovado, incidiria sobre o valor das compras desembarcadas, o que demandaria novos ajustes nas planilhas de precificação das tradings para evitar a perda de margens de lucro operacionais.

A equipe de análise da consultoria Datagro avalia que a postura recente adotada pelo USTR sinaliza uma abertura diplomática importante por parte do governo norte-americano. A desoneração total aplicada ao café solúvel funciona como um indicador positivo para o encerramento do segundo caso em curso, demonstrando a disposição de Washington em preservar o fluxo de abastecimento com o parceiro sul-americano.