
Neurociência e liderança empática como engrenagens vivas da sustentabilidade corporativa. Essa equação deveria ser mais familiar e real.
Camadas profundas do comportamento humano: uma conversa que começa no corpo.
Somos organismos que pensam, não máquinas que às vezes sentem. Parto dessa frase como se fosse um fio condutor: ela me leva para a biologia que pulsa por baixo das decisões cotidianas - hormônios que empurram ações antes mesmo da razão, ritmos que definem janelas de brilho cognitivo, e memórias que se espalham como redes de sentido.
Parece até poesia... E acho que é um pouco sim. A vida tem esse viés. Somos pura inspiração e força física de impacto e resistência, tudo junto e ao mesmo tempo. Nossa lógica depende do momento, isso é ilógico.
E quando a metáfora poética dos conceitos deixa de expressar a realidade!?
É neste momento que entra a CIÊNCIA... pura, material, palpável e – BIOLOGICAMENTE – real e visível. A neurociência entra e traz materialidade ao que antes era só ‘interpretação’ da nossa psiquê, para inverter a equação com sua CONCRETUDE BIOLÓGICA. E o primeiro fato ‘histórico contemporâneo’ que foi abalado (mas alguns ainda teimam em usar) foi o conceito do cérebro triuno de Paul MacLean que a Neurociência – literalmente – desmontou.
Não existe mais – pela ciência - a narrativa de que usamos o lado direito ou o lado esquerdo do nosso cérebro. Esqueçam essa sandice. A ciência já provou... que usamos os DOIS LADOS ao mesmo tempo!! Mas nossa biologia sempre nos surpreende quando o caos nos atinge. Há sim relatos de pessoas que sofreram acidentes, tiveram parte do cérebro danificado e, essa ‘máquina’ perfeita, buscou compensar as perdas de parte de suas capacidades. Isso dá um livro. Mas vamos nos ater a derrubada do ‘muro de Berlim’ sobre o uso do nosso CÉREBRO.
Essa é a primeira lição importante... Usamos os DOIS lados do cérebro ao mesmo tempo. Ponto.
E depois disso, o que sobrou não é caos, é um emaranhado coerente: redes neurais interconectadas, moduladas por dopamina, cortisol, oxitocina; relógios internos que ditam quando somos criativos ou apenas funcionais. É nessa fisiologia que molda a possibilidade de fazer o ESG deixar de ser slogan e virar prática orgânica.
Sim... tudo gira ao redor de Pessoas. E é nesse 'mantra' que empresas e governos deveriam centrar suas decisões.
A propósito, foi o quê me ensinou o professor Fernando Pianaro: "o cérebro humano responde melhor a estímulos emocionais e significativos". Coloco isso assim, em itálico, porque é um lembrete prático para líderes - empatia e propósito não são ornamentos; ativam circuitos de confiança. O prof. Pianaro também me ensinou que: "a motivação está diretamente ligada à dopamina". Ou seja, pequenas expectativas cumpridas, micro conquistas, chamam a química do prazer e fazem hábitos sustentáveis grudarem na nossa consciência. Aí você para, e pensa que ‘percebeu’ – talvez - alguns cenários de forma contrária... E isso pode ser verdade. Pois, quando ele afirma que "a plasticidade cerebral permite que comportamentos sejam moldados", ele nos devolve uma responsabilidade iluminadora: não somos prisioneiros de traços fixos; podemos treinar empatia, pensamento sistêmico e responsabilidade social. Ou seja...não estamos ‘totalmente perdidos’ no egoísmo visceral, ainda podemos trocar de ‘rota’. Tudo é um exercício de ‘querer melhorar’... OK! Não vamos ser tendenciosos e nem inocentes.
Outra visão que gosto de trazer ao debate é como, também enfatiza, o meu amigo e ex-colega do MBA de Neurobusiness, o neurocientista, professor e treinador organizacional, Sandro Eduardo, no seu livro, que acaba de sair do ‘forno’: ‘Inteligência NeuroComunicacional na Prática’, ali ele afirma com base na CIÊNCIA, exatamente o que venho falando – exaustivamente - que: “O "S" do ESG representa mais do que pessoas; representa o principal ativo da organização, capaz de transformar conhecimento, inovação e cooperação em resultado econômico. O capital financeiro é consequência da qualidade do capital humano”; Percebeu!? E não o contrário!
E ele vai além... ressalta um cenário que tenho alertado a cada artigo: “A verdadeira sustentabilidade começa quando a liderança compreende que pessoas não entregam apenas aquilo que sabem, mas respondem, diariamente, ao ambiente que encontram. Antes de formar resultados, toda organização forma comportamentos. E são eles que, no longo prazo, determinam a sustentabilidade de qualquer negócio”. E estas constatações, não vieram de análises semânticas (como uma grande parte faz e apenas interpretam), vieram da CIÊNCIA, da experimentação real na prática.
O neurocientista Sandro Eduardo, criou um método físico com aparelhos que medem a verdadeira intenção das pessoas. Nossa ‘intenção real’ exala descargas elétricas como chuva no nosso cérebro; assim como, da mesma forma, que exalamos feromônios... E isso é possível hoje, ser mapeado como um tipo de ‘radiografia’ exata da - intensão REAL - que temos. Perigoso!? Depende. Se a vontade da empresa for a de ser perseguidora de opiniões diferentes, sim. Mas não creio que profissionais sérios se prestem a isso. Pelo contrário, o filtro de análise – por exemplo - que o prof. Sandro usa, serve inclusive, para se antecipar a prováveis suicidas no trabalho. Assunto difícil, mas que não podemos fazer de conta que não existem. As estatísticas estão ai batendo nas portas de muitas empresas. Inclusive, neste exato momento que você está lendo este artigo... Ajudar pessoas é o objetivo da ciência!
VOCÊ SABIA QUE: Em 2025, cerca de 14,75% dos trabalhadores brasileiros relataram ideação suicida em seus ambientes de trabalho, segundo o Censo de Saúde Mental 2025 da Vittude. Até abril deste ano, os dados disponíveis mostram que esse índice se mantém crítico, mas ainda não há números consolidados oficiais de suicídios consumados informados por empresas ou órgãos governamentais.
E qual é a situação em 2026 (até agora)?
Os relatórios divulgados em abril de 2026 confirmam a manutenção de índices elevados de ideação suicida entre trabalhadores. Ainda não há dados oficiais consolidados de suicídios consumados no ambiente de trabalho divulgados por órgãos governamentais como o Ministério da Saúde ou Ministério do Trabalho.
As informações disponíveis vêm de levantamentos corporativos (como o da Vittude), que apontam tendências preocupantes, mas não substituem estatísticas oficiais nacionais. Para saber mais, CLICK AQUI
Somos – exatamente – isso... Seres Biológicos, sendo humanos e não máquinas.
Essa visão encontra ecos em pensadores do comportamento como Dan Ariely afirma quando mostra como somos previsivelmente irracionais, nos lembra que pequenas mudanças de contexto têm enormes efeitos na escolha. Já Daniel Kahneman, ao separar os dois modos de pensar, nos dá um mapa para arquitetar decisões que reduzam vieses.
Assim como, Robert Cialdini (conhecido como Pai da Persuasão) que criou práticas de influência que podem - e devem - ser usadas para o bem comum. "Histórias pegam; dados convencem" - é um princípio que reaparece em várias vozes como as de Bradley & Lang que oferecem ferramentas para medir emoção. Assim como, o método de análise do jornalista investigativo norte-americano Charles Duhigg, que busca explicar como hábitos se estruturam em looping que podemos redesenhar.
Já Susan Blackmore e Richard Dawkins trazem a noção de MEMÉTICA; que são ideias que se replicam quando encontram ambiente propício; em empresas, práticas ESG bem narradas tornam-se memes que se espalham e constroem motivação. Claro que o contrário é de igual força. Mas, vamos seguir na ‘construção do Templo’ e não na sua destruição...
E, com todo esse conhecimento é importante realinhar PROPÓSITOS; muito mais que objetivos.
E você sabe por quê!?
Pesquisas recentes de 2025 e 2026 mostram que a dopamina não é apenas prazer, mas também esforço e busca. Iniciar ações mesmo em baixa motivação dispara dopamina e sustenta engajamento, reforçando que micro-hábitos e progressos visíveis são mais eficazes que grandes metas abstratas li na revista Nature Neuroscience de 2025. Além disso, estudos alertam que culturas corporativas baseadas em urgência constante dessensibilizam o sistema de recompensa, levando ao burnout.
É preciso – antes – querer enxergar o mapa REAL das nossas atitudes. Como agimos, de FATO.
São 5 ‘ATOS’ com ações claras e definidas por Causa e Efeito...
PRIMEIRO ATO: timing. O ciclo circadiano não é detalhe; é infraestrutura humana. Nos dividimos em: Matinais, Vespertinos e Intermediários não são categorias para planilhas de RH; são janelas de atenção. Quando transferimos tarefas de alta exigência cognitiva para os picos de cada grupo, reduzimos erro, aumentamos criatividade e demonstramos um respeito biológico que reverbera em engajamento. E o que isso diz? Que nossa FISIOLOGIA FUNCIONAL nos separa em grupos de produtividade NATURALMENTE. E quando os RHs vão deixar de colocar HUMANO como RECURSO??
Invertendo essa lógica – ‘sem pé nem cabeça’ – (porque Humano não é ‘recurso’ como mesa, cadeira, notebook, etc.) - ; e buscando entender o conceito e prática da Fisiologia Humana, iniciamos a construir nas empresas a Gestão de Pessoas como ela deve ser DE FATO: alocando pessoas para seus reais horários de funcionamento biológicos. Simples assim. E, a partir daí, com a força da ação a própria Legislação Trabalhista irá se adequar a EVOLUÇÃO Funcional dos profissionais nas empresas. O contrário não seria uma evolução, e sim uma imposição que não daria espaço para a compreensão de algo tão básico e lógico como nosso Funcionamento Fisiológico. Aqui não cabe ‘prefácios’ na Ciência Social. O que vale agora, neste momento que estamos entre a Máquina e o descarte do Ser Vivo dentro das empresas, é nos voltarmos a entender de PESSOAS. Essa é a oportunidade de se colocar os ‘pontos nos Is’. Humano foi quem criou, máquina é quem obedece, e o Planeta é quem nos mantem Vivos. Simples assim. Sem metáforas nem filosofia, pura verdade nua e crua.
Por isso que, entender como somos com base em como funcionamos biologicamente traz LIBERTAÇÃO. Assim, o processo deixa de ser uma imposição e passa a ser uma condição de escolha. Isso é como realocar átomos com precisão, sem estressar o seu núcleo. É a melhor ‘filosofia’ de entendimento e ação que enxergo plausível para os tempos doidos que vivemos...
O professor Pedro Camargo, autor do 1º livro sobre Neuromarqueting, ensina isso na prática: mapear ritmos e alinhar jornada do cliente e do colaborador rende ganhos reais, simples e plausíveis de serem medidos. Há revisões recentes – vindas de pesquisas - mostrando que, o desalinhamento circadiano reduz produtividade e aumenta custos organizacionais. Empresas que alinham escalas ao cronotipo de seus funcionários relatam ganhos de até 20% em desempenho, conforme uma matéria no Journal of Occupational Health, em 2025.
SEGUNDO ATO: comunique com propósito e sentido. Narrativas que ativam o córtex pré-frontal e conectam a escolha a uma regra ética são mais duráveis do que imposições. Conte histórias reais de impacto social e ambiental; mostre rostos e consequências; permita que cada pessoa veja onde sua ação entra na cadeia de sentido. O prof. Pianaro está certo quando coloca a empatia como ferramenta de liderança - líderes que inspiram transformam contextos. Não tem como ser diferente.
Programas de liderança empática baseados em neuroplasticidade aumentaram engajamento e reduziram turnover em 15% em empresas globais; apontou artigo publicado na Frontiers in Psychology, também de 2025.
TERCEIRO ATO: desenhe ambientes seguros emocionalmente. A neurociência demonstra que a vulnerabilidade compartilhada, reconhecimento público e o pertencimento reduzem defesas e ampliam a abertura às mudanças. No campo do ESG, isso significa promover diálogos sem culpa, com escuta ativa, e celebrar micro vitórias que reforçam o caminho. Recompensas sociais - reconhecimento, propósito, progressos públicos - acionam circuitos dopaminérgicos e tornam a prática sustentável. E, assim, criamos um Efeito Manada positivo e não emergir no gene egoísta.
QUARTO ATO: transforme metas em micro-hábitos. Duhigg e Ariely mostraram caminhos para isso: habit loops e arquitetura de escolha. Fracione metas ambientais e sociais em passos claros, com feedback instantâneo e reforço positivo. É assim que se cria cultura, não com decretos, mas com repetições significativas. Case recente são as Campanhas de neuromarketing em finanças verdes têm usado eye-tracking e análise emocional para aumentar adesão a produtos ESG, mostrando que emoção e narrativa são mais eficazes que relatórios técnicos. Isso é de uma matéria do Journal of Sustainable Finance, de 2025. Ou seja, hoje em 2026 isso ainda é ‘experimento’, mas já tem empresas e Pessoas criando mentalidade de Abundância para realinhar o grande problema da falta de ‘permissão’ mental para o sucesso.
QUINTO ATO (e última escala): use líderes como modeladores. O que chamamos de "efeito espelho" tem base neurobiológica; quando a alta direção vive autenticamente o ESG, comportamentos ressoam por imitação e normatização social. Robert Cialdini fala que normas sociais são poderosas: “façamos com que a norma na empresa seja cuidar do outro e do planeta”. E na atualização desse pensamento: Modelos de “Executive Sustainability Cognition” mostram que líderes que interpretam ESG como prioridade estratégica evitam greenwashing e criam práticas duradouras.
Limites, ética e transparência
É tentador usar insights neurocientíficos como ferramenta de persuasão - e por isso a ética deve ser central. Coleta de dados biométricos só com consentimento explícito, sem punição e de forma anônima; nudges para o bem, nunca para manipular em favor de lucros curtos; clareza sobre objetivos e medição. Quando a neurociência serve ao projeto coletivo, ela amplia autonomia; quando serve a táticas opacas, corrói confiança. E hoje, algoritmos estão sendo usados para prever resultados de ESG e garantir transparência em decisões corporativas. A Inteligência Artificial veio e não tem volta, mas podemos construir limites e várias saídas de ‘emergências’ e camadas de perspectivas e de segurança.
ENTENDA QUE: não existe limite hoje para a aplicação da A.I. mas existe, no mesmo grau, Pessoas que não são assim tão previsíveis, mas que são o objetivo da existência de tudo que foi criado.
Você percebe a Lógica da relevância existencial das coisas!? Só pelo uso e não pela essência, não é?? Então, qual é a dificuldade de parar de criar muralhas entre as Pessoas!? Uns têm usado até a Física Quântica para explicar as invariáveis ilógicas da vida atual. Mas, a única verdade é que tudo, tudo mesmo existe no seu núcleo, do mesmo núcleo de átomo. Tudo que existe é do mesmo pó que está no espaço. Então, vamos parar de filosofar e tratar de viver melhor... Que vai todo mundo para o mesmo pó, sem volta.
Um roteiro mínimo para começar hoje a pensar na sua empresa:
Imagine uma empresa como um organismo que respira. Quando respeitamos o sono das células, quando damos espaço para o pulso emocional e quando contamos histórias que ligam o trabalho a algo maior, ela não só sobrevive: ela floresce. Liderar com neurociência não é manipular cérebros; é desenhar ambientes onde a biologia humana encontra significado e lógica existencial, e onde ESG deixa de ser decreto para virar hábito compartilhado.
E para provocar você a reflexão, trago uma frase do escritor mineiro Guimarães Rosa (filho da orgulhosa Cordisburgo) da sua obra – Grande Sertão Veredas - que dialoga com a ideia de transformação, ritmo humano e responsabilidade coletiva:
“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
É isso aí...em todos os tempos a ideia de continuarmos sustentáveis na Terra é sempre a grande indagação no passar dos tempos, anos, séculos e milênios...
Ouve quem quer. Entende quem pode. E age quem necessita. Mas, não precisa SER assim!
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KÁTYA DESESSARDS | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integra o Institute On Life e a Consultoria Vantwork - Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade? Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado. | Quer Saber Mais? CLICK AQUI
Dúvidas & Sugestões sobre ESG: katya.desessards@instituteon.life