A redução da área plantada com algodão no Brasil na safra 2025/26 mostra que o movimento de retração foi concentrado e refletiu escolhas distintas entre as principais regiões produtoras. Segundo André Debastiani, engenheiro agrônomo da Agroconsult, os dados apresentados com Heloisa Mara Melo na abertura da Etapa Algodão do Rally da Safra indicam queda de 4,1% no total cultivado, para 2,12 milhões de hectares.
O recuo interrompe a sequência de expansão observada nos ciclos anteriores. A área havia passado de 1,69 milhão de hectares em 2022/23 para 1,97 milhão em 2023/24 e alcançado 2,21 milhões em 2024/25, quando o crescimento foi de 12,2%.
A principal mudança ocorreu em Mato Grosso, que reduziu o plantio de 1,57 milhão para 1,47 milhão de hectares, uma retração de 6,5%. No estado, a combinação entre soja e algodão apresentou resultado semelhante ao sistema soja e milho dentro do calendário agrícola, o que levou parte dos produtores a direcionar área para a segunda alternativa.
Na Bahia, a área permaneceu estável em 425 mil hectares. A diminuição do cultivo de sequeiro foi superada pelo avanço das lavouras irrigadas, que já se aproximam de metade da área plantada no estado. Esse movimento consolida uma mudança no sistema de produção baiano, com maior participação da irrigação.
O MAPITO, formado por Maranhão, Piauí e Tocantins, manteve participação menor no total nacional, mas registrou crescimento próximo de 10%, chegando a 90 mil hectares. As demais regiões permaneceram estáveis, com cerca de 140 mil hectares. O quadro mostra que a redução nacional não ocorreu de forma uniforme: enquanto Mato Grosso concentrou a perda, Bahia sustentou o plantio e o MAPITO ampliou sua presença na cotonicultura brasileira.