Preço do boi gordo sobe em SP e escala encurta no Centro-Oeste
Publicado em 31/07/2026 11h20

Preço do boi gordo sobe em SP e escala encurta no Centro-Oeste

Entre 20 e 24 de julho, a baixa oferta de animais fez a arroba do boi gordo subir para R$ 341,94 em SP, segundo levantamento da StoneX.
Por: Wisley Torales

O mercado físico do boi gordo encerrou a última semana de negociações entre os dias 20 e 24 de julho com altas consistentes espalhadas pelas principais praças pecuárias do país. A escassez de lotes prontos para o abate gerou um ambiente de pressão compradora sobre as indústrias frigoríficas, permitindo que os pecuaristas retomassem a margem de negociação na fixação das tabelas diárias nas plantas de processamento.

De acordo com levantamento divulgado pela consultoria StoneX, a praça de São Paulo assumiu a liderança das cotações regionais após atingir a marca de R$ 341,94 por arroba. O movimento de valorização também alcançou praças do Centro-Oeste e do Sudeste que apresentavam defasagem histórica, com recuperações expressivas registradas nos balcões de negócios de Minas Gerais e Goiás ao longo do período.

O fator determinante para a sustentação dos preços esteve concentrado no encurtamento rápido das escalas de abate, cenário que se evidenciou com maior intensidade na faixa central do país a partir da quarta-feira. Com programações apertadas para cumprir os compromissos de escala, os frigoríficos viram a margem de barganha diminuir frente à postura firme dos produtores rurais nas fazendas de terminação.

Valorização regional no físico: A praça paulista liderou as cotações ao atingir R$ 341,94 por arroba, impulsionada pelo estrangulamento das escalas de abate nas indústrias do Centro-Oeste ao longo da semana.

Reposição pressionada e demanda chinesa no mercado externo

Enquanto a arroba do animal terminado encontrou sustentação nos balcões de compra, o segmento de reposição operou sem uma sinalização clara de rumo. As cotações dos animais jovens mantiveram-se firmes, mantendo pressionadas as relações de troca para os invernistas e confinadores que necessitam repor o rebanho comercializado nas últimas semanas.

Essa dificuldade em recompor as fazendas cria um gargalo estrutural para a oferta de médio prazo. A menor atratividade financeira na compra de garrotes e bezerros tende a estender o período de retenção nas propriedades ou desestimular o alojamento em confinamentos nos próximos meses, elemento que atua como suporte altista para as cotações da pecuária de corte.

No front externo, o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina in natura permanece aquecido, atuando como vetor direto de sustentação do mercado físico. Os embarques rumo à China continuam concentrando a maior fatia do volume escoado pelos portos nacionais, estabelecendo uma disputa concorrencial direta com o abastecimento do consumo doméstico.

Pressão na relação de troca: A volatilidade no preço dos bezerros e garrotes dificulta a recomposição dos estoques nas fazendas, criando um cenário de oferta restrita que deve sustentar os preços nos próximos meses.

Ajustes nos contratos futuros e sinalizações para o próximo ciclo

Em contraste com a firmeza verificada nas negociações à vista, o mercado futuro negociado na B3 apresentou movimentos de correção nos contratos intermediários. A curva de vencimentos para o terceiro trimestre devolveu parte dos prêmios acumulados após registrar sete sessões consecutivas de valorização nos pregões anteriores.

Esse ajuste nos derivativos reflete uma readequação de expectativas entre os agentes do mercado financeiro, que reduziram a precificação de pico antes da entrada efetiva do volume de confinamento do segundo giro. A liquidação parcial de posições compradas buscou alinhar o valor dos contratos à realidade do consumo doméstico e à capacidade de absorção do varejo nas capitais.

A evolução das cotações dependerá da capacidade do mercado físico em manter os patamares vigentes na abertura de agosto, observando o comportamento das escalas de abate e o ritmo de emissão de licenças de importação pelas autoridades sanitárias chinesas.