Menos de 100 mil produtores usam seguro rural no Brasil em 2026
Publicado em 10/08/2026 12h54

Menos de 100 mil produtores usam seguro rural no Brasil em 2026

Em 10 de agosto de 2026, painel no CBA em SP destacou o avanço do Fiagro, dos CRAs e da CPR para ampliar o financiamento privado no campo.
Por: REDAÇÃO

Painel Investimento e Financiamento em tempos voláteis da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio. Foto: Gerardo Lazzari 

 

O acesso a recursos financeiros privados ganha novos contornos no agronegócio brasileiro, impulsionado pela expansão de títulos do mercado de capitais e pela necessidade de diversificar as fontes de custeio. Durante o painel "Investimento e Financiamento em Tempos Voláteis", realizado nesta segunda-feira (10 de agosto) no 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo, especialistas debateram os mecanismos para aproximar o produtor rural dos investidores e otimizar a gestão de risco nas propriedades.

Entre os instrumentos que ganharam escala no setor destacam-se os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fondos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros). Atualmente, cerca de 600 mil investidores possuem alocações em CRAs, modalidade que ostenta um tíquete médio de R$ 43 mil. Nos Fiagros, o valor médio de aplicação gira em torno de R$ 1 mil, evidenciando a capacidade desses ativos em popularizar o financiamento do setor produtivo.

A diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), Flávia Palacios, pontuou que o avanço dessa pauta depende do alinhamento entre a ponta produtiva e a Faria Lima. Conforme a executiva, torna-se necessário capacitar o agricultor para compreender as análises de crédito corporativo, enquanto os agentes do mercado financeiro precisam aprofundar o conhecimento sobre a dinâmica operacional dentro e fora da porteira.

Democratização dos aportes: Com tíquete médio de R$ 1 mil no Fiagro e R$ 43 mil no CRA, o mercado de capitais amplia o acesso de pequenos e grandes investidores ao custeio do agronegócio.

Na avaliação da superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, Fabiana Perobelli, os títulos nativos da atividade rural funcionam como engrenagem para essas operações estruturadas. A Cédula de Produto Rural (CPR) consolidou-se como garantia primária para integrar emissões de CRA e outros veículos de captação privada.

Governança, risco e o gargalo do seguro rural

A volatilidade de preços e a exposição a fatores climáticos constituem elementos intrínsecos à atividade agropecuária. A diretora executiva e especialista setorial da S&P Global Ratings, Julyana Yokota, ressaltou que a transparência contábil e a governança corporativa precisam fazer parte da rotina das empresas rurais. A adoção de relatórios financeiros auditados e o planejamento de longo prazo reduzem os prêmios de risco e barateiam o custo do capital tomado.

Em relação às garantias de produção, a cobertura de lavouras e plantéis permanece como um dos principais gargalos estruturais do país. A superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Monique Cardoso, classificou a situação como preocupante, apontando que menos de 100 mil produtores rurais contam com apólices ativas de seguro no Brasil.

Defasagem na cobertura agrícola: Menos de 100 mil produtores rurais possuem seguro no Brasil, quadro que exige maior integração de dados climáticos para atenuar riscos operacionais.

A executiva da CNseg explicou que a ferramenta securitária deve atuar como parâmetro para mensurar riscos e incentivar práticas agrícolas sustentáveis. O compartilhamento de dados meteorológicos entre seguradoras, bancos e produtores permite precificar as apólices de forma justa e assegurar a estabilidade orçamentária diante de eventos climáticos adversos.

Homenagens e reconhecimentos no setor

A programação da edição comemorativa de 25 anos do evento contou com a entrega de honrarias a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do setor. O sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, foi contemplado com o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio, com apresentação conduzida pelo professor emérito da FGV, Roberto Rodrigues.

A pesquisadora da Embrapa Iêda Mendes recebeu o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade, em solenidade apresentada pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, reconhecendo os avanços científicos voltados à bioanálise e à saúde do solo na agricultura tropical.