Bioinsumos avançam e já ocupam 47% das lavouras brasileiras
Publicado em 13/08/2026 11h26

Bioinsumos avançam e já ocupam 47% das lavouras brasileiras

Pesquisa da Kynetec revela que o mercado de defensivos aplicados movimentou US$ 9 bilhões no primeiro semestre de 2026 nas lavouras do país.
Por: Wisley Torales

Cristiano Limberger - gerente de atendimento da Kynetec Brasil. Foto Wisley Torales / Agroin Comunicação

O levantamento conduzido pela consultoria Kynetec junto a quase 15 mil produtores rurais aponta que o mercado de defensivos agrícolas efetivamente aplicados no solo (POG) somou US$ 9,04 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa uma expansão de 11% em dólares e de 5,5% em moeda nacional, totalizando R$ 48,09 bilhões. A diferença entre os dois indicadores reflete a variação cambial registrada durante o período de contratação das matérias-primas e a aplicação no campo.

O Potencial de Área Tratada (PAT) superou a marca de 1,21 bilhão de hectares no semestre, estabelecendo uma alta de 5% sobre o ciclo anterior, o que equivale a um acréscimo de 59,2 milhões de hectares cobertos. Os inseticidas lideraram o faturamento no período, respondendo por 38% do valor total (US$ 3,39 bilhões), impulsionados pelo aumento na pressão de percevejos na soja, lagartas e surtos severos de mosca-branca. Os fungicidas representaram 29% da receita, somando US$ 2,63 bilhões, enquanto os herbicidas atingiram 23%, gerando US$ 2,12 bilhões.

Liderança em volume: Os herbicidas responderam por 41% do volume físico total de produtos aplicados no semestre, somando 322,6 mil toneladas de um total de 793,7 mil toneladas negociadas.

Desafios fitossanitários nas grandes culturas

A consolidação do milho de segunda safra transformou o cereal no principal destino dos produtos no primeiro semestre, concentrando 35% do PAT e 32% do valor financeiro do período. O controle da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), vetora do enfezamento, exemplifica a mudança de manejo nas propriedades. A adoção de tratamentos específicos para a praga saltou de 0,2% da área cultivada na safra 2015/16 para 58% no ciclo atual, registrando uma média de 2,2 aplicações por talhão.

Em culturas perenes como a citricultura, a eficiência das pulverizações evitou o colapso verificado em outros polos mundiais. Enquanto a produção do estado norte-americano da Flórida despencou 92% desde 2005 devido ao avanço do greening (HLB), a citricultura brasileira elevou sua produtividade de 539 para 740 caixas por hectare. O resultado exigiu a intensificação do combate ao psilídeo, vetor da bactéria, com pomares recebendo entre 20 e 30 aplicações anuais.

Eficiência no campo: O combate rigoroso ao psilídeo permitiu ao Brasil manter a liderança global na exportação de suco de laranja, mitigando perdas por greening.

Consolidação dos bioinsumos e controle biológico

O segmento de biocontrole atingiu uma receita de US$ 1 bilhão no mercado brasileiro, valor equivalente a R$ 5 bilhões e correspondente a 5% de todo o mercado de proteção de cultivos. Quando desconsiderada a fatia de herbicidas, a participação dos produtos biológicos alcança 7,5% do faturamento total do setor. A adoção dessas tecnologias abrange 47,6% da área cultivada nas principais culturas, cobrindo 107,7 milhões de hectares com produtos biológicos.

A cultura da soja lidera a utilização de nematicidas biológicos no país. Cerca de 83% do Potencial de Área Tratada para controle de nematóides na oleaginosa utiliza agentes biológicos, como microrganismos dos gêneros Bacillus e Trichoderma. Além do ganho ambiental, a modalidade apresenta atratividade financeira, registrando custo médio de US$ 9 por hectare contra US$ 17 verificado nas opções químicas convencionais.

No recorte geográfico do primeiro semestre, a região formada por Mato Grosso e Rondônia concentrou 40% de todo o Potencial de Área Tratada do país. O bloco composto por Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará respondeu por 17% das aplicações, seguido pelas regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás.