
ILPF: Integração, Lavoura Pecuária e Floresta. Área de pesquisa da Embrapa. Foto divulgação
O avanço da produção agropecuária brasileira pode encontrar espaço relevante dentro de áreas já abertas, reduzindo a necessidade de conversão de vegetação nativa. Os dados foram apresentados por Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, que destaca o potencial econômico associado à recuperação de pastagens degradadas no país.
O Brasil possui cerca de 179 milhões de hectares de pastagens, área equivalente a aproximadamente 20% do território nacional. Desse total, cerca de 107 milhões de hectares apresentam algum nível de degradação, extensão superior às áreas somadas de França e Espanha.
Esse cenário representa um passivo produtivo, mas também abre espaço para uma expansão agrícola baseada no melhor aproveitamento de terras já utilizadas. A estimativa apresentada aponta que a conversão dessas áreas poderia ampliar em 35% a área plantada brasileira na comparação com a safra 2022/23.
A recuperação, porém, não depende apenas da reforma do capim, correção do pH ou adubação. A condição biológica do solo também é apontada como elemento importante para definir onde os investimentos podem apresentar maior resultado.
Nesse contexto, a tecnologia BeCrop®, da Biome Makers Inc., é apresentada como ferramenta para avaliar a saúde funcional do solo antes da tomada de decisão. O sistema permite identificar características biológicas das áreas, apoiar a priorização das pastagens com maior potencial de recuperação e acompanhar a evolução do solo ao longo do processo.
A proposta é utilizar dados científicos para direcionar capital e tecnologia, reduzindo incertezas na escolha das áreas que devem receber investimentos primeiro. Com mais de 100 milhões de hectares degradados, a recuperação dessas terras aparece como uma alternativa para elevar a capacidade produtiva do agro brasileiro aproveitando áreas já disponíveis.