Campo Grande torna-se o centro das atenções da comunidade científica internacional ao sediar, nos dias 20 e 21 de agosto de 2026, o 3º Simpósio Internacional sobre Biotecnologias Reprodutivas para a Conservação da Vida Selvagem. O encontro, promovido pelo Instituto Reprocon nas instalações do Sistema Famasul, Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, atrai pesquisadores, veterinários e instituições dedicadas à preservação da fauna nativa do Brasil e do exterior.
A iniciativa busca integrar metodologias de ponta, como a reprodução assistida, a criopreservação de tecidos e o uso de células-tronco, aos programas práticos de manejo e proteção de animais silvestres. As discussões ocorrem em um momento em que a expansão urbana, o aumento dos acidentes em rodovias, as queimadas recorrentes e a degradação ambiental comprimem os habitats naturais, resultando em populações isoladas com baixa variabilidade genética e alto risco de extinção.
Aliança de biobancos e a preservação do patrimônio genético
O grande destaque da programação oficial é a realização da 1ª Reunião da Aliança Latino-Americana de Biobancos para a Conservação. A criação deste bloco de cooperação científica visa estruturar uma rede integrada na América Latina, garantindo a padronização e o compartilhamento seguro de material biológico entre os centros de pesquisa da região.
Os biobancos desempenham o papel de depósitos de segurança para a biodiversidade, armazenando amostras de sêmen, oócitos, embriões, tecidos corporais e linhagens celulares sob condições de congelamento de longa duração. Esse acervo genético permite introduzir variabilidade em populações pequenas ou fragmentadas, contornando os efeitos nocivos da consanguinidade sem a necessidade de retirar indivíduos de seu ambiente original.
Depósitos de biodiversidade: Os biobancos preservam sêmen, tecidos e embriões congelados, assegurando a variabilidade genética e viabilizando a recuperação de espécies ameaçadas de extinção na América Latina.
A presidente do Instituto Reprocon, Dra. Thyara de Deco-Souza, aponta que o simpósio aproxima o trabalho desenvolvido nos laboratórios das ações executadas nas reservas e unidades de conservação. A médica veterinária destaca que o fortalecimento das estruturas de armazenamento garante a segurança biológica das espécies diante de eventos climáticos extremos ou surtos epidemiológicos.

Dra. Thyara de Deco-Souza examinando uma onça pintada
Tecnologias reprodutivas aplicadas ao manejo de fauna
A aplicação de biotecnologias em animais silvestres exige a adaptação de protocolos consagrados na pecuária para espécies nativas, respeitando as particularidades anatômicas e fisiológicas de cada família animal. Técnicas como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), a fertilização in vitro (FIV) e a transferência de embriões começam a apresentar resultados promissores em mamíferos de grande e médio porte, como cervídeos, grandes felinos e tamanduás.
Conexão científica: "A proposta é reunir pesquisadores, profissionais e instituições que trabalham diretamente com soluções científicas aplicadas à conservação da vida selvagem, fortalecendo redes de conhecimento", afirma a Dra. Thyara de Deco-Souza.
O avanço da genômica possibilita também o sequenciamento rápido das amostras armazenadas, identificando marcadores associados à resistência a enfermidades e à adaptação às mudanças de temperatura. A integração desses dados ao gerenciamento dos biobancos assegura que a escolha dos reprodutores nos programas de acasalamento direcionado ocorra com máxima precisão sanitária e genética.
As inscrições e o envio de trabalhos científicos são centralizados na plataforma oficial do evento no endereço eletrônico reprocon.org, com apresentações e resumos estruturados no idioma inglês para facilitar a difusão internacional das descobertas.
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Evento: 3º Simpósio Internacional sobre Biotecnologias Reprodutivas para a Conservação da Vida Selvagem |