
Cerimônia de Abertura do III Fórum Bioinsumos no Agro. Foto: Divulgação
A consolidação do mercado de defensivos biológicos no Brasil avança em ritmo superior ao da expansão da área agrícola cultivada, mas a falta de uma legislação específica traz incertezas para o setor. Reagindo a essa urgência, lideranças da indústria, produtores rurais e pesquisadores reuniram-se em São Paulo, na sede da Ocesp, durante a realização do III Fórum Bioinsumos no Agro.
Levantamento apresentado no evento pela consultoria Kynetec Brasil indica que os biodefensivos cobrem atualmente mais de 107 milhões de hectares no país, o que representa 6% do mercado de proteção de cultivos. O volume de área tratada com biológicos cresce mais de 30% ao ano, superando a taxa de expansão da área plantada nacional, que oscila entre 3% e 4% ao ano.
O coordenador da Kynetec, Vitor Hugo Leite, pontuou que o aumento na pressão de pragas torna a aplicação de insumos inevitável, exigindo tecnologias de alta performance que não gerem resistência nos organismos alvos.
Avanço em área tratada: A aplicação de produtos biológicos cresce mais de 30% ao ano nas lavouras brasileiras, cobrindo uma área superior a 107 milhões de hectares.
A construção da soberania tecnológica brasileira depende do gerenciamento de dados e da capacidade de influenciar normas internacionais. O coordenador do GACInt-USP, Alberto Pfeifer, e o presidente da Abisolo, Roberto Levrero, defenderam que o país possui conhecimento para liderar a produção de insumos vivos tropicais, desde que amparado por regras transparentes.
No campo prático, a transição para modelos regenerativos demonstra ganhos operacionais. Os produtores Pelerson Penido, do Grupo Roncador, e José Eugênio Rezende Barbosa, da Agroterenas, compartilharam resultados sobre remineralizadores de solo e integração lavoura-pecuária. O presidente do GAAS, Paulo Buffon, destacou que o equilíbrio biológico do solo constrói sistemas agrícolas mais rentáveis e resistentes a estresses hídricos.
Independência tecnológica: A liderança do Brasil no uso de insumos tropicais exige regras claras para atrair investimentos contínuos e garantir a proteção de dados.
A transformação da biodiversidade em ativos comerciais exige garantias de propriedade intelectual e financiamento. O diretor da Syngenta, Igor Lyra, a especialista da Yara, Juliana Machado, o CEO da Traive, Maurício Quintela, e o presidente do INPI, Julio Castelo Branco, indicaram que o avanço da categoria exige fundos para a agricultura de conservação.
A transição do modelo químico para o biológico demanda readequação do ensino técnico. Os pesquisadores Luís Reynaldo Alleoni (Esalq/USP), Marcela Bagagli (IFSP), Marcos Rodrigues de Faria (Embrapa) e Waldir Cintra (UFSCar) ressaltaram que a agricultura biológica foca na saúde do ecossistema, exigindo capacitação técnica sobre a dinâmica de organismos vivos.
A classificação dos bioinsumos como categoria distinta de químicos e fertilizantes é premissa para a fiscalização. Amália Borsari (CropLife Brasil), Cristhiane Amâncio (Embrapa Agrobiologia) e Pablo Hardoim (GAAS) enfatizaram que a diferenciação conceitual garante a segurança biológica das soluções.
Na esfera fiscal, Fábio Calcini (FGV) alertou sobre a importância de assegurar os benefícios da reforma tributária para os biológicos, evitando entraves burocráticos.
O ex-ministro Roberto Rodrigues ressaltou que a falta de um marco legal gera dupla interpretação e eleva riscos regulatórios. A moderação dos painéis contou com Guilherme Bastos (FGV Agro), João Francisco Adrien (SRB), Cynthia Cury (Embrapa Instrumentação), Luis Barbieri (Instituto Folio) e Roberto Betancourt (Deagro/Fiesp). O vice-presidente da SRB, João Francisco Adrien, observou que o manejo biológico integra o sistema produtivo sem eliminar as ferramentas químicas, ampliando a eficiência no combate às pragas.