
Eduardo Riedel é governador e candidato à reeleição. Foto: Saul Schramm
A busca por novos mecanismos de financiamento privado no campo impulsiona propostas de modernização econômica em Mato Grosso do Sul. Durante a apresentação de suas diretrizes de governo, o governador Eduardo Riedel (PP) anunciou a intenção de criar o Fiagro do Mato Grosso do Sul, instrumento projetado para ser o primeiro Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais com articulação estadual.
A modalidade financeira visa captar recursos junto a múltiplos investidores para aplicação em ativos estratégicos do agronegócio sul-mato-grossense, contando com cotas negociadas diretamente na Bolsa de Valores. A estrutura busca expandir a oferta de crédito fora do sistema bancário tradicional, permitindo que produtores e agroindústrias locais acessem capital com custos competitivos para expansão de estruturas e aquisição de insumos.
A atração de capital conecta-se ao plano de transição tecnológica denominado Agro 5.0. O projeto articula ferramentas de agricultura de precisão, automação de máquinas, inteligência de dados e expansão da conectividade rural nas regiões produtoras. A proposta abrange o estímulo ao uso de bioinsumos, rastreabilidade digital, consolidação de sistemas integrados de produção e práticas baseadas em economia circular.
Modernização do campo: "A intenção é modernizar o processo produtivo e preparar as cadeias do Estado para mercados cada vez mais competitivos", explica Eduardo Riedel.
A aplicação prática dessas ferramentas digitais busca integrar as etapas do cultivo ao processamento industrial, gerando métricas em tempo real para otimizar o uso de combustível, água e defensivos nas lavouras do estado.
A recuperação de áreas degradadas constitui outro pilar do planejamento estadual. Entre os anos de 2010 e 2024, Mato Grosso do Sul registrou a recuperação de 3,3 milhões de hectares de terras antes comprometidas, dimensão que equivale a quatro vezes a área territorial de Campo Grande. O volume de pastagens degradadas recuou de 6,2 milhões para 2,9 milhões de hectares no período, registrando retração de 52%.
Recuperação de terras: A área considerada degradada em Mato Grosso do Sul caiu de 6,2 milhões para 2,9 milhões de hectares entre 2010 e 2024, queda de 52%.
A conversão desses solos atende a metas produtivas e ambientais ao intensificar o aproveitamento de terras já abertas. A estratégia busca elevar a eficiência no uso de fertilizantes e consolidar sistemas integrados, associando a recuperação do solo à contenção do desmatamento e à diminuição de emissões do setor agropecuário.
A reestruturação do atendimento no campo abrange também pequenos produtores, associações e cooperativas. O plano prevê a ampliação de programas de investimento focados na agroindustrialização da agricultura familiar, permitindo que comunidades locais agreguem valor à produção.
A medida apoia-se na reestruturação dos serviços públicos de assistência técnica rural, priorizando a capacitação para captação de financiamentos e a ampliação do acesso a recursos financeiros. O fortalecimento da assistência estadual visa garantir suporte de gestão e acompanhamento agronômico permanente às propriedades familiares do estado.