
ESG não é mais uma escolha... (escrevo isso pela milionésima vez)
Nos meus últimos artigos tenho escrito sobre a aplicação do ESG em setores importantes do mercado. E fico feliz quando consigo ter retorno dos leitores e medir a relevância do que estou levando para vocês. E mais importante do que ter razão, é receber feedback do impacto real que se está promovendo.
E essa é a verdade sobre porque escrevo. Não quero estar ‘certa’. Quero que faça sentido para cada leitor. Brigar pela verdade é coerente. Mas ser irredutível quanto a ética...daí tem que ter talento para dizer o que precisar ser dito, sem melindrar ou agredir...
Acredito muito na aplicação do ESG como princípio, meio e finalidade. Agindo como processo, estratégia e gestão.
Mas, tenho vivenciado algumas caminhadas em empresas que me fazem questionar o quanto podemos afirmar que o mercado brasileiro é – de fato – maduro.
E por que trago este questionamento??
Simples. Se o Modus Operandi e o Princípio Básico é – digamos – semelhante entre países (claro já se levando em conta as diferenças culturais)...
Por qual razão... no Brasil certos ‘princípios’ não são levados em conta, como básicos !? Não quero demonizar nossa sociedade, mas precisamos refletir sobre quem somos...REALMENTE.
Que país é esse onde as pessoas já esperam que vão ser enganadas!?
Que país é esse que achamos normal as pessoas mentirem !?
É estranho receber elogio por fazer o certo. Sempre fiquei incomodada quando recebia elogios sobre ações, decisões ou gestos que para mim eram básicos, normais ou sendo de minha total obrigação em fazê-las. Elogiar é bom. Receber é gratificante. É importante se refletir! Pois, há uma linha entre o básico de sua e minha obrigação a ser feito e a ação a mais, o plus, o diferencial.
Isso sim, se deve incentivar com elogios.
Mas e qual é a realidade!? Nas minhas andanças como mentora e conselheira de empresas (pena que não posso trazê-las como cases muitas consultorias e aconselhamentos ocorrem sob sigilo de contratos de confidencialidade). Pena, pois são cases para levar grandes aprendizados. Mas, sigamos com o barquinho...
Confesso que em dados momentos – quando me vi nestas situações - me senti aquele elefantinho desengonçado na loja de cristais... e aqui nem é uma retórica! Sou mesmo desastrada...
E indo lá para os meus anos iniciais na vida profissional. Já no último semestre da faculdade de jornalismo na ULBRA. Estagiava na seletiva redação do Jornal Gazeta Mercantil; ícone de prestígio e relevância na América Latina. Um veículo de imprensa que te ensinava a ser jornalista de verdade, desses que fazem perguntas óbvias por estratégia; apenas como preparação do caminho para o que realmente importava... Entender qual seria a real pergunta que deveria SER FEITA. Saber obter respostas, nem sempre tem a ver com perguntas elaboradas, mas em se saber fazer a leitura real do cenário e das pessoas que você precisa entrevistar.
E aprendi, também, que nem sempre era preciso perguntar. O mais importante era entender como a fonte estava falando, como ela estava se postando e quem ela era, realmente, na empresa. Eu gostava de me focar, nas coletivas, em outras pessoas da empresa presentes; ficava ouvindo seus comentários e até perguntando sobre algum detalhe do assunto que estava sendo apresentado ou divulgado na Coletiva de Imprensa. Eu gostava mais de observar o interesse dos meus colegas dos outros veículos para entender o viés do interesse deles no assunto. Assim, eu poderia me direcionar para outro aspecto da notícia. Afinal, o meu jornal primava pelo aprofundamento e não, exatamente, no factual do momento. Era um olhar refinado sobre os fatos do mercado.
Então, se os óbvios já tinham sido perguntados, por que iria eu chover no molhado? Partia direto para um momento reservado para aprofundar os paralelos daquela notícia que não haviam sido falados ou perguntados na coletiva. Por isso, que sempre éramos os últimos a sair...
E por que contei essa passagem da minha experiência profissional??
Quando iniciei minha jornada de transição profissional, em 2025, para entrar – de vez – no Universo ESG; percebi que todo o estudo, especializações, MBAs e cursos técnicos só estavam fazendo sentido por conta do meu olhar crítico e detalhista, a pormenores de jornalista que, hoje, me presenteia com um nível de percepção sobre cenários, ambientes e personas... que nem em duas ‘vidas’, conseguiria adquirir tamanha sensibilidade ardilosa.
Às vezes, acontece de ficar incomodada com uma situação ou pessoas nas empresas. E quando isso vai perdurando e criando uma certa irritação incômoda, consigo hoje entender que é meu ‘faro’ de jornalista acendendo todos os alarmes.
Todos os lugares que trabalhei... e olha que foram MUITOS... de vários setores e segmentos do mercado; lapidaram minha visão para conseguir ver o que está oculto no semblante das pessoas; a ter conhecimento sobre operacional e estratégico sobre vários setores. E junto com meus estudos em neurociência e mediação, tudo fica com um nível de clareza que – às vezes – me assusta. Confesso que já me vi relutando, por não acreditar que tal pessoa foi capaz de tal ato. Ou que tal empresa conseguiu produzir tamanha irregularidade... Que tal instituição se cegou para tal situação... E, assim, vai a minha jornada nessa ‘nova’ atuação profissional no ESG...
(... claro, isso funciona quando é com o outro, ou seja, se a situação é sobre mim... Bah!! Daí eu na maioria das vezes sou ‘tonga’) Tradução (de Tonga) = abobada, tapada, inocente, etc.
...já tá bom, né! Você entendeu!
Ou seja, normalmente, quando há implicações pessoais nossa percepção é avariada. E no meu caso específico, por ser autista, minhas emoções podem exacerbar ou entrar em um tipo de looping. Mas fora isso, essa capacidade de CAPTAR os reais sentimentos e intensões de dados e cenários, é uma construção que tenho me fascinado cada vez mais. Porque na atuação com o ESG, tudo que vivi até agora entra nessa equação diferenciada. Vale a experiência de vida, o quanto você estudou sobre Pessoas e vale, ainda mais, o quanto você conseguiu aprender com seus erros e dificuldades. Cada erro e acerto que você já criou ou cometeu... podem se tornar o seu maior ATIVO Profissional. Sabe... você consegue ‘transpirar’ um ‘tempero’ diferente da concorrência.
E essa dinâmica pessoal é a ‘chave de ouro’... A chave ‘Universal’ que abre qualquer porta.
E por que fiz todo esse blá-blá-blá !?
A eficiência e a eficácia na implantação, na evolução, no mapeamento de avanços ou percalços, e a real análise dos resultados do ESG nas empresas; precisam muito mais do que apenas certificações ou sistemas e Apps para alinhar processos e gerar indicadores. É preciso que as empresas (leia-se: o conjunto de Pessoas), estejam sintonizadas no mesmo ‘dial’, na mesma ‘paleta de cores’, no mesmo compasso da caminhada.
Em TODOS os artigos que escrevi – até agora – sempre repeti que todo o resultado no ESG depende – diretamente - das REAIS INTENSÕES. A simulação de cenários serve para mapear os pontos de interesse a melhorar, mudar ou para criar novas perspectivas do negócio... E não, para fazer o jogo das ‘aparências’. Isso não! Mas tem quem faça. Não vou julgar. Mas, eu, não coloco meu nome em projeto sem destinação, propósito claro, previsibilidade de feedback e indicadores plausíveis de serem evoluídos...
Entenda! Essa é a diferença entre ganhar para pagar as contas e ser pago para realizar transformação real! E aqui não estou falando de Valor Monetário. Mas de VALOR da AÇÃO e do RESULTADO.
Percebe a diferença!?
Muito falei de ferramentas e cenários. Muito falei sobre processos que as empresas precisam desapegar; e muito escrevi sobre Ética na jornada. E no Brasil, esse ‘ritual’ de sempre se voltar a lembrar do que – realmente – importa se faz necessário e inevitável.
Pois, na outra ponta dessa estrada a ser trilhada, estão seus concorrentes e parceiros (fornecedores ou sistemistas), onde você precisa que façam - do ESG – o mesmo que você. É por essa razão que sempre digo: “O que o ‘vizinho’ faz, importa sim!”
- Entender isso, é parte essencial para a Gestão de Pessoas.
- Entender que tudo está interligado, é Inteligência na Gestão.
- Entender que o óbvio, em grande parte, não é óbvio para grande parte das Pessoas; isso é Visão Real do Negócio.
- Entender que mudar, nem sempre é trazer ou fazer tudo novo; isso é Sensibilidade estratégica.
- E entender que... tudo na empresa é possível ser melhorado sem gerar conflito; isso é Capacidade de acreditar na Evolução das Pessoas.
Mas...sempre tem um pequeno ‘Mas’, em toda a Jornada da Inovação dentro da empresa; sempre!
O tal do ‘Mas’, é o ‘pó de ouro’ que faz brilhar o projeto, mas que nem todos conseguem ter a visão de abstrair que o tempo de evolução entre as mudanças ponderáveis, e das que não se consegue medir (mas que serão/ou terão), grande impacto no crescimento da empresa.
Essa capacidade de convicção e persuasão é a diferença entre o Ser Gestor e o ‘Ser Empresário’, que abraça com propósito o ‘Módus Operandi’ ESG no seu negócio. Melhor o feito, que o perfeito!
Quando a percepção entre gasto e investimento muda de significado na visão estratégica do negócio, efetivamente, os resultados aparecem de forma mais rápida. Claro, dentro da lógica de funcionalidade de cada setor produtivo ou de serviços.
Entenda! Lembra do que falei no início do artigo? Sobre minhas experiências e a nova jornada profissional!?
Então, do que vale todo o esforço feito se... eu não encontrasse uma forma de aplicar todo esse conhecimento!!?? Do que valeria!? Qual seria a lógica para tanto estudo!?
Estas e outras perguntas PRECISAM ser feitas de forma muito tranquila. Com convicção. E mesmo com medo. Ou com receio. Mesmo assim, faça essas perguntas de forma SINCERA, de você para você.
Pode parecer um pouco de dicotomia. Mas é importante você cuidar. Esse olhar claro, vai trazer sensibilidade para sua VISÃO DE FUTURO. Isso não é um método, isso é você se deixando ser Humano! Errar e acertar faz parte do aprendizado e da evolução. Mas o que estamos buscando aqui é... Deixar de persistir nos ERROS.
Se o mundo tá doido, maluco, sem noção ou lógica; isso já vem sendo assim desde que o ser humano existe e evoluiu para ter a capacidade de pensar... (ou não, em muitos casos).
Mas, fato é, que a decisão é sua de permanecer como está. Ou evolui, por méritos próprios. Decidindo fazer o CERTO porque é o CERTO.
ESG é, na realidade, sobre isso!!
É você que escolhe onde vai estar...
E aí!? Entendeu por que no ESG não existe lado para escolher!?
-------------------------
Kátya O. Desessards | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica.
Sócia de Flávio Nerva, Ceo do Institute On Life (especializado em Inovação).
E integra o casting da Vant Group Consulting de Júlio Rocha, criador da plataforma Vantwork
Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade?
Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado como: varejo, imprensa, infraestrutura, gestão pública, justiça, entidades de classe, cooperativismo de crédito, etc.
Quer saber mais? CLICK AQUI
Dúvidas & Sugestões sobre ESG: katya.desessards@instituteon.life