Clima e conservação ambiental ganham espaço nas decisões econômicas do campo. Além de influenciar a produtividade, esses fatores afetam o acesso ao crédito e podem gerar receitas com carbono, pagamento por serviços ambientais (PSA) e ativos de biodiversidade.
Nesse cenário, no Plano Safra 2026/27, há desconto de até um ponto percentual nas taxas de custeio, associado à regularidade do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e à adoção de práticas sustentáveis. Segundo a especialista Ana Luci Grizzi, aproveitar essas oportunidades exige dados organizados e comprovação das ações realizadas na propriedade.
Estudo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) aponta potencial de até 314 milhões de créditos de carbono até 2035, com receita estimada em R$ 3,85 bilhões no cenário conservador. A projeção depende de demanda, preços e requisitos para emissão dos créditos.
De acordo com ela, o PSA busca remunerar a conservação e a recuperação ambiental, mas ainda depende de regras complementares para operar. No entanto, os ativos ligados à biodiversidade estão em estágio inicial de desenvolvimento.
“Não adianta o produtor olhar para carbono, PSA ou biodiversidade apenas quando surgir uma oportunidade de receita. A preparação precisa vir antes. Quem estrutura hoje sua governança de clima e natureza, ou seja, seus dados, conhece seus riscos e mantém a propriedade regular terá mais condições de acessar crédito, atender às exigências de mercado e avaliar quais dessas novas fontes de receita realmente fazem sentido para o negócio”, conclui Ana Luci.