A combinação de oferta restrita, demanda firme e custos elevados mantém os mercados agrícolas internacionais sob pressão. A volatilidade dos grãos afeta preços e margens dos produtores, enquanto os investimentos em processamento alteram o fluxo das exportações.
Segundo relatório trimestral do CoBank, o preço do milho subiu 20% no último trimestre diante da perspectiva de uma safra menor nos Estados Unidos. A produção americana é estimada em 15,8 bilhões de bushels, queda de 7% em um ano. O recuo da colheita europeia e a redução dos embarques ucranianos também sustentam as cotações, embora os preços mais altos já limitem o consumo interno americano.
Para o Brasil, a análise destaca a expectativa de nova safra recorde de milho na América do Sul, capaz de aliviar a oferta global. Ao mesmo tempo, o avanço acelerado do etanol de milho no país deve reduzir o volume disponível para exportação.
Na soja, o esmagamento nos Estados Unidos segue em níveis recordes, impulsionado pela demanda por biocombustíveis. As margens favoráveis estimulam novos investimentos, com ampliações previstas para 2028. A China voltou a comprar soja americana regularmente, após compromisso anunciado de adquirir 25 milhões de toneladas por ano até 2028.
No trigo, a guerra limita os embarques da Rússia e da Ucrânia. O USDA prevê queda conjunta de 11% nas exportações dos dois países, para o menor nível em cinco anos, pressionando os preços internacionais.
Mesmo com a valorização do milho e da soja, o aumento dos custos reduz o ganho dos agricultores americanos. O diesel está quase 80% mais caro que há um ano, e as despesas com fertilizantes em 2026 podem atingir US$ 40 bilhões, alta de 15%. Apesar da pressão, a oferta de insumos é considerada suficiente pelo CoBank.