Mercado global de pescado move US$ 184 bi e abre espaço para o Brasil
Publicado em 15/10/2026 13h38

Mercado global de pescado move US$ 184 bi e abre espaço para o Brasil

Com a aquicultura nacional ultrapassando 1 milhão de toneladas, a Seafood Show Latin America reúne a cadeia do pescado entre 20 e 22 de outubro.
Por: Wisley Torales

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A aquicultura brasileira atingiu um marco histórico na produção de proteína aquática, consolidando o país como player estratégico no abastecimento interno e no comércio internacional. Levantamento do Anuário Peixe BR de Piscicultura aponta que a produção nacional de peixes cultivados alcançou 1,011 milhão de toneladas em 2025, representando uma expansão de 4,41% em relação ao ciclo anterior.

A tilápia lidera os índices produtivos da piscicultura com 707.495 toneladas, equivalentes a 70% de todos os peixes cultivados em águas brasileiras. As espécies nativas, com destaque para o tambaqui e o pirarucu, somaram 257 mil toneladas, enquanto outras variedades como truta, carpa e pangasius responderam por 47 mil toneladas.

O panorama de expansão da oferta e o potencial de inserção global do pescado brasileiro pautam as discussões da 5ª edição da Seafood Show Latin America, evento de negócios realizado de 20 a 22 de outubro no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Recorde na piscicultura: A produção de peixes cultivados no Brasil superou 1 milhão de toneladas em 2025, impulsionada pelo avanço de 6,8% da tilápia.

Cenário global e dinamismo do comércio exterior

A ascensão da produção brasileira ocorre em alinhamento com a demanda global reportada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no relatório The State of World Fisheries and Aquaculture 2026 (SOFIA). O documento indica que a produção mundial de animais aquáticos e algas atingiu 235 milhões de toneladas em 2024, movimentando US$ 184 bilhões em trocas comerciais.

Pela primeira vez na história, a aquicultura ultrapassou a marca de 100 milhões de toneladas de animais aquáticos, superando a pesca extrativa e respondendo por 53% da produção global. O consumo mundial per capita atingiu 21,3 quilos anuais por habitante, enquanto a média de oferta no Brasil situou-se em 12,2 quilos por habitante em 2024, com projeção do setor para alcançar 13 quilos em 2026.

Segundo dados compilados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) via plataforma Comex Stat, as importações brasileiras de pescado somaram 215,4 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2026, com desembolso de US$ 1,207 bilhão. O Chile manteve a liderança dos fornecedores ao responder por 57% do valor importado, focado no fornecimento de salmão fresco e congelado, seguido pelo Vietnã com 14,3%.

Mercado internacional: A aquicultura superou 100 milhões de toneladas no mundo, enquanto o Brasil projetou consumo interno de 13 kg por habitante em 2026.

Recuperação das exportações e projeções do setor

Nas vendas externas, o Brasil movimentou 48,8 mil toneladas de pescado entre janeiro e agosto de 2026, gerando receita de US$ 243,5 milhões. Os Estados Unidos permanecem como o principal destino dos embarques nacionais, concentrando 40% do valor exportado, com foco em filés frescos de tilápia, lagostas e peixes marinhos de captura. A China ocupa a segunda posição na pauta consumidora, acquiring pescada-amarela e bexiga natatória.

O setor exportador projeta recuperação no faturamento após a superação das barreiras tarifárias impostas pelo mercado norte-americano. A decisão da Suprema Corte dos EUA e a posterior isenção fiscal concedida aos filés frescos e à tilápia inteira devolveram a competitividade dos embarques brasileiros.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) estima que as exportações totais de pescado do Brasil alcancem aproximadamente US$ 600 milhões ao final do ciclo de 2026.

Para apoiar essa expansão comercial, a Seafood Show Latin America recebe compradores internacionais por meio do programa Exporta Mais Brasil, organizado em parceria com a ApexBrasil, conectando indústrias nacionais a sete grandes importadores de mercados estratégicos.