Produção de tilápia avança no país sob impacto dos grãos
Publicado em 16/10/2026 11h34

Produção de tilápia avança no país sob impacto dos grãos

Paraná, São Paulo e Minas Gerais lideram a produção de tilápia no Brasil, enquanto a ração responde por até 70% dos custos da atividade.
Por: Wisley Torales

O cultivo de tilápia no Brasil consolida sua posição como o principal motor de crescimento da piscicultura nacional, sustentado por polos produtivos altamente especializados e pelo avanço tecnológico nos sistemas de produção. A geografia do setor revela forte concentração no Sul e Sudeste, com o estado do Paraná ocupando o topo do ranking nacional, responsável por aproximadamente 34% de toda a tilápia cultivada no país, de acordo com levantamentos da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

O Oeste paranaense destaca-se como o maior arranjo produtivo da espécie, impulsionado pelo modelo de integração entre cooperativas agroindustriais e pequenos e médios produtores rurais. São Paulo ocupa o segundo lugar na produção nacional, aproveitando o potencial hídrico dos grandes reservatórios das bacias dos rios Paraná, Paranapanema e Rio Grande para o cultivo em tanques-rede.

Na terceira posição, Minas Gerais expande sua capacidade脚本aquícola, com parques aquícolos instalados nos lagos de Furnas e Três Marias. Santa Catarina e Pernambuco completam a lista dos maiores polos, este último beneficiado pelas águas do rio São Francisco na região do Vale do São Francisco.

Liderança nacional: O Paraná responde por mais de um terço da produção brasileira de tilápia, seguido por São Paulo e Minas Gerais.

Comportamento e composição dos custos da raçãoaquícola

A viabilidade financeira da piscicultura depende diretamente da cotação dos insumos alimentares. A ração formulada representa entre 60% e 70% do custo total de produção da tilápia, transformando a nutrição no fator de maior peso na planilha do produtor. A composição básica das dietas aquícolas utiliza o farelo de soja como principal fonte de proteína vegetal e o milho como fonte de energia.

Por depender diretamente dessas matérias-primas agrícolas, o preço da ração oscila em sintonia com o mercado de commodities graneleiras. Períodos de valorização do milho e da soja nos mercados físico e futuro elevam o custo por quilo de peixe produzido, reduzindo as margens operacionais dos criadores de sequeiro e tanques-rede.

A conversão alimentar, indicador que mede quantos quilos de ração são necessários para a planta ganhar um quilo de carne, atua como o principal divisor entre o lucro e o prejuízo no cativeiro. Índices eficientes situam-se entre 1,3 kg e 1,5 kg de ração para cada quilo de tilápia produzido.

Peso no bolso: A nutrição vegetal representa até 70% do custo de produção, vinculando a rentabilidade do peixe aos preços do milho e da soja.

Inovação nutricional e estratégias de mitigação

Para aliviar a pressão dos custos de alimentação, indústrias de ração e centros de pesquisa, como a Embrapa Pesca e Aquicultura, investem no desenvolvimento de dietas de alta digestibilidade e no uso de enzimas industriais. A adição de fitase e proteases às formulações otimiza a absorção de nutrientes pelo organismo do peixe, reduzindo a conversão alimentar e minimizando a excreção de resíduos na água.

Outra frente de contenção de custos foca na substituição parcial do farelo de soja por fontes alternativas de proteína, como farinhas de subprodutos do abate de aves e suínos, além de concentrados proteicos vegetais. A adoção de alimentadores automáticos com sensores de apetite também ganha espaço nos parques aquícolos, evitando o desperdício de alimento no fundo dos tanques.

O monitoramento constante da qualidade da água, especialmente da temperatura e do oxigênio dissolvido, garante que os peixes expressem seu consumo alimentar máximo durante as fases de crescimento e terminação.

A cotação média do milho e do farelo de soja nas praças do Centro-Sul permanece como o indicador prioritário para o planejamento de compras das fábricas de ração e piscicultores ao longo de 2026.