Carne bovina do Brasil fatura US$ 12,9 bi mesmo com cota na China
Publicado em 16/10/2026 07h13

Carne bovina do Brasil fatura US$ 12,9 bi mesmo com cota na China

Com o esgotamento da cota chinesa e travas na Europa, a pecuária brasileira amplia embarques aos EUA e busca novos mercados em 2026.
Por: Wisley Torales

A pecuária de corte brasileira vivencia um cenário de redistribuição das exportações no decorrer de 2026. As restrições temporárias impostas pela cota de importação da China e os bloqueios sanitários relacionados ao uso de antimicrobianos na União Europeia exigem estratégias de diversificação dos destinos comerciais. Durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, especialistas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) detalharam o panorama da balança comercial.

Mesmo com percalços pontuais, o faturamento das exportações de carne bovina atingiu US$ 12,97 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, avanço de 14,1% em relação ao ano anterior. O volume embarcado somou 2,11 milhões de toneladas, registrando ligeira retração de 1,5%, compensada pela elevação de 15,9% no preço médio. O país lidera o abastecimento global, respondendo por 31% do comércio mundial da proteína.

A menor presença chinesa em setembro decorre do esgotamento da cota de 1,1 milhão de toneladas, atingida em agosto. Com isso, a participação da China caiu de 42,5% no acumulado do ano para 5,6% em setembro, gerando um recuo de 94,2% no volume ante setembro de 2025. Lotes de carne seguem estocados em câmaras frias no país asiático aguardando a renovação da cota ao fim de outubro.

Faturamento em alta: O Brasil arrecadou US$ 12,97 bilhões com carne bovina até setembro de 2026, com preço médio 15,9% maior.

Avanço nos Estados Unidos e concorrência global

O redirecionamento do produto brasileiro encontrou abrigo no mercado norte-americano, que assumiu a liderança das compras de carne do Brasil em setembro, absorvendo 21,5% do volume embarcado. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as vendas para os Estados Unidos cresceram 45% sobre o mesmo período de 2025.

O movimento foi impulsionado por uma cota suplementar de 300 mil toneladas de carne magra, destinada ao processamento de hambúrgueres entre setembro e novembro. Os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho bovino em 75 anos, o que eleva as cotações internas e amplia a necessidade de suprimento externo.

Análises da CNA e da FAEP indicam que os concorrentes globais enfrentam limitações operacionais para suprir a demanda. A Austrália sofre com instabilidades climáticas, a Argentina tenta recuperar sua produção e o Uruguai compromete mais de 90% do seu volume com a exportação.

Liderança norte-americana: As exportações para os EUA subiram 45% em 2026, impulsionadas pela menor oferta da pecuária local em 75 anos.

Diversificação de compradores e diferenciação no Paraná

Diante das barreiras no continente europeu, que exige vistorias sanitárias e projeta cobranças futuras sobre desmatamento e bem-estar animal, entidades setoriais projetam a expansão na Ásia. Indonésia, Filipinas e Vietnã surgem como opções para grandes volumes, enquanto Japão e Coreia do Sul representam metas para cortes nobres de maior valor agregado.

No cenário regional, o Paraná busca ampliar a participação de suas agroindústrias nos embarques internacionais de alta qualidade. Atualmente, apenas 11 propriedades rurais paranaenses possuem certificação no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) para atender a União Europeia.

A liderança da FAEP defende que o fortalecimento da pecuária paranaense depende da oferta constante de animais oriundos de cruzamento industrial. A conformidade com as exigências sanitárias e o suporte de adidos agrícolas nas embaixadas sustentam o plano de abertura de novos mercados.