A dinâmica de rentabilidade dos produtores de grãos e oleaginosas na Europa e na Austrália desenha um cenário de lenta recuperação após atingir o ponto mais baixo da crise em 2026. Relatório global de margens do Rabobank aponta que a reação europeia será impulsionada pela normalização das produtividades físicas e por um alívio modesto nos custos de insumos, enquanto o setor agrícola australiano segue pressionado por gargalos logísticos e riscos climáticos associados ao El Niño.
Na União Europeia, a safra de 2026 registrou perdas expressivas nas lavouras de Primavera devido à estiagem prolongada no Oeste do continente. Na França, o rendimento médio do milho despencou para 6,50 toneladas por hectare, frente à média histórica de 9,07 toneladas por hectare. Em contrapartida, as culturas de Inverno no Leste Europeu demonstraram resiliência, com colheitas de trigo e girassol na Romênia superando a média recente.
A reação do mercado europeu para 2027 sinaliza uma elevação média das margens operacionais das propriedades de 53% para 58%. O avanço da rentabilidade deve variar entre 16% e 35% nos países do bloco, puxado pela expansão de 10% no faturamento bruto e por um recuo inferior a 5% nos preços dos fertilizantes e da energia.
Recuperação europeia: As margens agrícolas na União Europeia projetam alta de até 35% em 2027, impulsionadas pelo retorno das produtividades médias.
A recomposição das margens operacionais no continente europeu apresentará intensidades distintas entre os principais países[cite: 46]. Na Alemanha, a taxa de rentabilidade operacional das fazendas deve subir de 56% para 62% no ciclo 2027, enquanto na França o indicador evolui de 45% para 52%. Na Espanha, a margem operacional atinge 63%, consolidando a maior taxa entre as nações analisadas.
O alívio na conta de insumos europeia ocorre após um salto de 10% a 15% nos custos operacionais em 2026, provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio que encareceram o gás natural e os adubos. A reação nos preços do trigo mole, da colza e das batatas ajudou a amenizar o impacto financeiro das quebras de safra na região Ocidental.
A normalização da oferta de grãos na Europa eleva a concorrência no comércio internacional de trigo e cevada, influenciando a formação das cotações globais.
Cenário alemão e francês: A margem operacional das propriedades agrícolas na Alemanha atinge 62% em 2027, enquanto a França recupera taxa de 52%.
Na Austrália, as margens brutas da produção de grãos ingressaram em 2026 abaixo das médias históricas por conta da queda nos preços internacionais e das interrupções no frete marítimo no Estreito de Ormuz. O encarecimento do diesel e dos adubos levou produtores do Leste a reduzirem as dosagens de fertilizantes e a migrarem áreas de trigo para culturas menos exigentes.
Apesar dos custos elevados, o Sul e o Oeste australiano registraram colheitas satisfatórias em Victoria e na Austrália Ocidental, diluindo os custos fixos sobre volumes maiores. As estimativas pré-colheita indicam recuperação das margens operacionais do trigo para 32% e da canola para 39%, enquanto a cevada recua para 27%.
A perspectiva para 2027 permanece desafiadora no mercado australiano por conta da presença do El Niño, que ameaça reduzir os índices de chuva em Queensland e Novo Gales do Sul. Para se protegerem, agricultores anteciparam compras de adubos e ampliaram o estoque de combustível nas fazendas.
A evolução da oferta de canola na Austrália e do trigo na Europa mantém o mercado global abastecido, balizando os preços pagos aos exportadores brasileiros.