A gastronomia tornou-se uma ferramenta estratégica para a pesquisa agropecuária ao unir cultura, hábitos alimentares e valorização de mercado. Durante a Semana da Alimentação 2026 - SAA Conecta SP, promovida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, a APTA Regional apresentou estudos que conectam a produção agrícola às exigências do consumidor final.
Em palestra no evento, o coordenador da APTA Regional, o pesquisador Daniel Gomes, explicou como a análise da cadeia de consumo permite transformar matérias-primas do campo em itens de alto valor agregado. Segundo o especialista, enquanto a pesquisa tradicional foca o desenvolvimento produtivo dentro das fazendas, o uso da gastronomia investiga os significados e a aceitação dos alimentos na mesa da população.
Para mapear essa relação, a instituição combina análises sensoriais, testes químicos e levantamentos de mercado, identificando oportunidades para que agricultores paulistas alcancem nichos mais rentáveis.
Conexão estratégica: "Ao aproximar o campo da mesa, a gastronomia contribui para a valorização dos produtos agrícolas e para a ampliação das oportunidades de mercado", afirma Daniel Gomes.
Entre os destaques esteve a consolidação do Vale do Ribeira como polo nacional de palmito pupunha sustentável (Bactris gasipaes). A espécie nativa da Amazônia destaca-se pela precocidade produtiva, capacidade de rebrote e qualidade culinária de sabor suave. O suporte técnico fornecido a pequenos produtores locais reduz a pressão sobre a palmeira juçara, estruturando uma economia agrícola regulamentada.
Outra cadeia em expansão no Estado de São Paulo é a fungicultura. Impulsionados pelo interesse gastronômico em ingredientes funcionais, os cogumelos ganham espaço nas cozinhas profissionais e no varejo. O desafio do setor reside na adequação das apresentações comerciais aos fatores culturais dos consumidores.
Preservação e renda: O cultivo do palmito pupunha no Vale do Ribeira oferece suporte técnico a produtores para substituir a pressão sobre a juçara por uma economia regulamentada.
A pesquisa agropecuária paulista expôs inovações no cacau e na banana. No cacaueiro, a APTA Regional demonstrou o percurso desde a fermentação das amêndoas até o processamento de chocolates bean-to-bar. O diretor da Unidade em Pariquera-Açú, Eduardo Fuzitani, ressaltou que o desenvolvimento de novas cultivares possibilita o acesso a mercados gastronômicos exigentes.
A valorização do leite paulista foi evidenciada pela atuação dos Centros de Referência Queijeira. As unidades trabalham na capacitação de produtores para a fabricação de queijos artesanais madurados, preservando a identidade regional do produto.
A diretora da Unidade da APTA Regional em Bauru, Maria Izabel Medeiros, destacou que o acompanhamento técnico garante a melhoria da qualidade do leite e amplia a rentabilidade das propriedades leiteiras do estado.
Identidade regional: Os Centros de Referência Queijeira capacitam produtores paulistas na produção de queijos artesanais madurados, elevando o valor do leite.
A programação da Semana da Alimentação 2026 incluiu um painel focado na alimentação escolar. O encontro debateu mecanismos para ampliar a participação da agricultura familiar no fornecimento de alimentos frescos para as redes públicas de ensino de São Paulo.
Durante o evento, cooperativas e associações rurais participaram de uma exposição dedicada ao abastecimento escolar. A mostra contou com estandes da CATI Sementes e Mudas, Defesa Agropecuária e dos institutos IAC, Instituto de Pesca e APTA Regional, reunindo gestores públicos, nutricionistas e produtores no encerramento da programação.
