Milho em alta e frango no mercado interno desafiam avicultura em 2027
Publicado em 23/10/2026 11h00

Milho em alta e frango no mercado interno desafiam avicultura em 2027

A relação de troca entre o frango abatido e o milho deve exigir cautela do avicultor brasileiro no primeiro semestre de 2027.
Por: Wisley Torales

A avicultura de corte brasileira inicia o primeiro semestre de 2027 ajustando seus custos operacionais diante da oscilação nos preços dos principais insumos nutricionais e da recuperação do mercado consumidor. A relação de troca entre o quilo do frango abatido e o saco de 60 quilos de milho é o principal termômetro do poder de compra do produtor. As projeções para os primeiros seis meses apontam para um cenário de margens operacionais mais estreitas, exigindo rigor no planejamento de compras e na eficiência alimentar dos plantéis.

De acordo com levantamentos de mercado e dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o poder de compra do avicultor depende da convergência entre a safrinha de milho e a capacidade de escoamento da carne. No início de 2027, a pressão de oferta da proteína no mercado interno, decorrente do redirecionamento de lotes do Sul e da sazonalidade do consumo após as festas de fim de ano, limita aumentos expressivos nos preços do frango no atacado.

Do lado dos custos, a cotação do milho no mercado físico apresenta sustentação no primeiro trimestre devido ao período de entressafra e à demanda aquecida das indústrias de etanol de milho e da pecuária intensiva. Com a saca de milho mantendo patamares firmes e o frango abatido enfrentando teto de preço na distribuição urbana, a relação de troca exige maior volume de carne para a aquisição da mesma quantidade de grão.

Poder de compra: A relação de troca indica a necessidade de vender mais quilos de frango para adquirir uma saca de milho no primeiro trimestre de 2027.

Projeções para a safrinha e alívio de custos no segundo trimestre

A perspectiva de recomposição na rentabilidade do avicultor ganha fôlego a partir do final do segundo trimestre de 2027, com o avanço da colheita da segunda safra de milho no Centro-Oeste e no Paraná. A entrada do grão colhido no circuito comercial tende a ampliar a oferta no mercado disponível, arrefecendo os preços das rações concentradas para as agroindústrias avícolas.

Além do milho, a cotação do farelo de soja atua como componente determinante na formulação da ração, representando aproximadamente 25% a 30% dos custos de nutrição avícola. O processamento abundante da safra de soja no país mantém o farelo em níveis competitivos, mitigando parte da pressão exercida pelo cereal no custo por quilo de carne produzido.

A Companhia Nacional de Abastecimento destaca que o controle tecnológico do peso de abate e a conversão alimentar continuam sendo as principais ferramentas de gestão interna nas granjas para preservar o saldo financeiro do produtor integrado e das cooperativas.

Alívio na safra: O início da colheita da safrinha de milho no meio do ano promete melhorar a relação de troca e recompor a margem da avicultura.

Estratégias de hedge e gestão do estoque de grãos

Para atravessar os meses de maior pressão sobre as margens, grandes integradoras e avicultores independentes recorrem a mecanismos de proteção de preços no mercado futuro. A fixação prévia de custos de insumos na B3 e a formação de estoques estratégicos de passagem no final de 2026 surgem como alternativas para mitigar a volatilidade do milho na entressafra.

A capacidade das empresas de diversificar os canais de venda da carne de frango, equilibrando embarques de exportação com o abastecimento regional, diminui os riscos de sobreoferta localizada. Frigoríficos com atuação em múltiplos estados conseguem remanejar lotes e sustentar preços médios mais vantajosos para equilibrar a compra de insumos.

O acompanhamento dos relatórios do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre o status sanitário e o ritmo das exportações continuará balizando as decisões de alojamento de pintinhos no país.