
Foto: Divulgação
A consolidação do fenômeno El Niño no Brasil acende um sinal de alerta para a fase pós-colheita das lavouras agrícolas. As oscilações climáticas provocadas pelo evento geram impactos distintos entre as regiões produtoras do país, exigindo que o agricultor estenda o monitoramento da safra para além dos limites da lavoura. Enquanto o Sul enfrenta maior frequência de chuvas e menor incidência solar durante o recolhimento dos grãos, áreas do Centro-Norte convivem com períodos prolongados de seca que interferem no desenvolvimento das culturas.
O excesso de umidade no momento do corte faz com que as massas de grãos cheguem aos pontos de recebimento com elevado teor de água. O calor no interior das estruturas de estocagem estimula a deterioração fisiológica do produto. Quando o ar quente e úmido entra em contato com as chapas frias das coberturas e paredes dos silos, ocorre a condensação de vapor, forming gotas de água que pingam sobre os grãos e criam focos de deterioração por fungos.
O aumento da produtividade no campo e a aceleração dos maquinários de colheita pressionam a capacidade operacional das unidades receptoras. O diretor da Qualygran e distribuidor da tecnologia Cycloar no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Júlio Espel, pontua que a velocidade de entrada da safra exige planejamento rigoroso no recebimento e conservação dos lotes armazenados.
Risco de condensação: A oscilação térmica dentro dos silos transforma o ar quente e úmido em gotas de água, provocando a perda direta de qualidade dos grãos.
A gestão das unidades armazenadoras exige atenção redobrada aos processos de secagem e movimentação de ar em cada etapa da estocagem. Em polos produtores do Centro-Norte, o distribuidor do sistema Cycloar a partir de São Paulo, Adriano Mallet, destaca que o ingresso de grãos com alta umidade favorece a ocorrência de grãos ardidos. Para conter a proliferação de microorganismos nocivos, torna-se necessário intensificar o tempo de secagem e manter o acompanhamento contínuo da aeração.
Nas estruturas instaladas na região Sul, a oscilação de temperatura entre o dia e a noite potencializa os estragos provocados pela água condensada no teto das instalações. O distribuidor do sistema para o Paraná, Gilberto Sobzak, alerta que o acúmulo de vapor resulta em gotejamento constante sobre a massa de grãos, gerando perdas volumétricas e financeiras para os armazenadores.
O monitoramento contínuo das condições termo-higrométricas do ambiente interno permite antecipar correções operacionais antes que o produto perca o seu valor comercial na distribuição.
Controle de umidade: A combinação de secagem eficiente e aeração contínua impede a proliferação de fungos e a degradação da carga armazenada.
A busca por maior controle ambiental nas unidades de estocagem impulsiona a adoção de tecnologias de renovação contínua da atmosfera interna dos silos. O sistema de exaustão Cycloar atua promovendo a circulação contínua do ar, reduzindo a concentração de calor acumulado e eliminando a umidade que precipita nas estruturas metálicas.
A aplicação dessas ferramentas tecnológicas atua de forma complementar aos procedimentos tradicionais de pré-limpeza, secagem e aeração mecânica dos grãos. A eliminação dos bolsões de ar quente previne a proliferação de pragas de armazém e mantém o produto dentro dos padrões exigidos pela indústria processadora e pelas tradings de exportação.
A verificação diária dos parâmetros de conservação nos armazéns assegura a integridade física da safra recolhida, resguardando o retorno financeiro do agricultor em momentos de instabilidade no clima.