Publicado em 04/11/2026 07h59

IA e robótica transformam a criação de suínos na EuroTier 2026

A EuroTier 2026, na Alemanha, apresenta novidades em automação e Inteligência Artificial para otimizar custos e o bem-estar na suinocultura.
Por: Wisley Torales

Liderança em custos e avanço da digitalização no setor

A busca por maior eficiência operacional e redução de custos dita o ritmo da cadeia global de carne suína. Durante a EuroTier 2026, realizada em Hanover, na Alemanha, os principais fabricantes de tecnologia para a pecuária apresentaram soluções voltadas ao controle preciso de processos dentro dos galpões de produção. O cenário exige que granjas de diferentes portes otimizem o uso de recursos para manter a rentabilidade frente às oscilações dos preços de mercado.

As inovações apresentadas no evento focam no aprimoramento das redes de dados embarcadas nas instalações. Os sistemas integrados gerenciam desde o controle climático até a alimentação automatizada dos plantéis. Sensores conectados registram em tempo real o consumo de água, acionam a ventilação por cortinas e operam o resfriamento por alta pressão, permitindo tomadas de decisão mais rápidas pelo produtor.

A grande mudança desta edição reside no processamento dessas informações. Com a entrada da Inteligência Artificial (IA) nos softwares de gestão, o volume massivo de dados coletados por câmeras e travas de pesagem passa por filtragem automática. Isso entrega relatórios simplificados na língua nativa dos operadores, otimizando o manejo diário no campo.

Inteligência Artificial e automação na maternidade suína

O manejo na fase de parto recebeu atenção especial das empresas de tecnologia durante o evento mundial. A estabilidade térmica dos leitões recém-nascidos e o monitoramento constante do comportamento das matrizes surgem como fatores determinantes para diminuir os índices de mortalidade por esmagamento nas baias.

Sistemas baseados em visão computacional e IA agora analisam o comportamento da porca em tempo real. A tecnologia identifica sinais de parto iminente e envia alertas automáticos para a equipe de manejo, ajustando o programa de alimentação do computador central para pausar e retomar a oferta de ração nos momentos adequados, evitando desperdícios e estresse nutricional.

Destaque: Câmeras inteligentes integradas a algoritmos conseguem prever o parto das matrizes e ajustar o fornecimento de ração automaticamente, reduzindo perdas e melhorando o consumo.

A climatização dos ninhos de leitões também passou a ser controlada por dados visuais de comportamento. Caso as câmeras identifiquem leitões agrupados fora da área de aquecimento, indicando estresse térmico por frio, o sistema ajusta automaticamente a potência das placas térmicas elétricas ou de radiadores de alumínio com segurança contra incêndio, garantindo o conforto dos animais.

Higiene robótica e controle de poeira nas instalações

A biosseguridade e a limpeza das instalações ganharam reforço com o lançamento de robôs autônomos de higienização equipados com scanners LiDAR 3D. Os equipamentos navegam pelos corredores das granjas sem a necessidade de trilhos ou sensores fixos, identificando a geometria dos compartimentos para realizar o processo de limpeza.

Esses robôs combinam as etapas de imersão química, lavagem com alta pressão e aplicação de desinfetantes em um único ciclo automatizado. A tecnologia elimina o trabalho físico pesado da equipe de campo, reduz o contato humano com aerossóis de produtos químicos e garante o padrão sanitário exigido para prevenir o surgimento de doenças respiratórias no rebanho.

Destaque: Robôs com tecnologia 3D e braços telescópicos realizam a imersão química, lavagem e desinfecção das baias sem intervenção humana direta.

O controle ambiental nos galpões que utilizam palha como cama também evoluiu com a aplicação de óleo vegetal injetado diretamente nas tubulações de transporte do material. O sistema evita a formação de poeira suspensa no ar sem impregnar as paredes ou o piso das instalações, criando um ambiente mais saudável para os suínos e para os trabalhadores.

Monitoramento individual e automação do trato líquido

A precisão no manejo individual ganhou espaço com o escaneamento de caudas e condição corporal. Câmeras instaladas nos corredores de seleção comparam as imagens atuais dos suínos com o histórico registrado via brinco eletrônico (RFID). O sistema identifica lesões por canibalismo ou necroses de forma precoce, permitindo o isolamento do animal atingido e a contabilização de lotes elegíveis a bônus de bem-estar animal.

Na área de nutrição, os tanques de mistura para alimentação líquida receberam alterações estruturais. A otimização dos agitadores centrais e a adoção de escotilhas de manutenção ao nível do solo facilitam a higienização dos depósitos, garantindo a homogeneidade da ração e reduzindo os tempos de paralisação do sistema de trato.

As novidades apresentadas em Hanover demonstram que a digitalização e a automação deixaram de ser itens opcionais para se consolidarem como ferramentas centrais de gestão da suinocultura moderna.