Publicado em 05/11/2026 02h45

Fertilizantes ganham novos projetos bilionários

Investimentos até 2030 miram oferta nacional, mas escoamento do gás é entrave.
Por: Leonardo Gottems

O Brasil tenta reduzir a dependência de fertilizantes importados com projetos no Rio de Janeiro, grande produtor de gás natural. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, a quinta edição do estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro, da Firjan, aponta mais de R$ 25 bilhões em investimentos até 2030.

O projeto central é uma fábrica de ureia em Macaé, com capacidade de 1,3 milhão de toneladas anuais e consumo de 3,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O município também prevê uma planta de metanol de 900 mil toneladas. Há ainda projetos de amônia verde no Porto do Açu e dois módulos de processamento do Complexo Boaventura, em Itaboraí. A Petrobras anunciou US$ 900 milhões para fertilizantes, enquanto o Projeto Raia, da Equinor, deve acrescentar 16 milhões de metros cúbicos diários de gás ao mercado a partir de 2028.

O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes químicos que consome. Em 2025, produziu 7,2 milhões de toneladas e importou mais de 43 milhões. A fábrica de Macaé poderia cobrir perto de 10% da demanda nacional. O Plano Nacional de Fertilizantes prevê reduzir a dependência externa para 45% até 2050.

O entrave é fazer o gás chegar às indústrias. Dos 223,98 milhões de metros cúbicos produzidos por dia em setembro, apenas 66,37 milhões chegaram ao mercado, segundo dados da ANP citados pelo economista. O restante foi reinjetado ou usado nas operações offshore. A falta de infraestrutura de escoamento e processamento limita o aproveitamento da matéria-prima.

Com os projetos previstos para o período entre 2028 e 2030, o mercado brasileiro segue exposto à restrição chinesa sobre fosfatados e ao encarecimento do gás europeu, com possíveis reflexos sobre a oferta e os custos agrícolas.