O mercado físico do milho no Rio Grande do Sul registrou valorização nas cotações em meio a um ambiente de liquidez reduzida e ritmo cadenciado de negócios. Segundo levantamento da consultoria TF Agroeconômica com base em dados apurados pela Emater, a média semanal paga ao produtor gaúcho subiu 0,53%, passando de R$ 62,50 para R$ 62,83 por saca. Nas praças do estado, as ofertas oscilam entre R$ 60 e R$ 70 por saca, refletindo a postura cautelosa de vendedores e compradores diante das incertezas no campo.
Os trabalhos na safra 2026/27 avançaram no território gaúcho, alcançando 82% da área total prevista para o cultivo do cereal. O avanço representa um ganho de dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. O retorno do sol, acompanhado pela elevação das temperaturas e maior incidência de luminosidade, acelerou o desenvolvimento vegetativo dos milharais após períodos de instabilidade.
Conforme a Emater, cerca de 90% das lavouras gaúchas encontram-se em fase de desenvolvimento vegetativo, enquanto 10% ingressaram na etapa reprodutiva. O potencial produtivo das lavouras mais avançadas dependerá da regularidade das chuvas ao longo dessa fase.
Preços no Rio Grande do Sul: A saca de milho atingiu pico de R$ 70 em praças gaúchas, impulsionada pelo avanço das fases reprodutivas e negócios pontuais.
A semeadura da primeira safra foi concluída no município de Frederico Westphalen e atingiu 95% das áreas projetadas nas regiões de Ijuí e Passo Fundo. No aspecto fitossanitário, os produtores mantêm o monitoramento constante contra a cigarrinha-do-milho. Armadilhas de campo instaladas em polos produtores apontam redução na captura dos insetos em comparação com as semanas anteriores.
No estado de Santa Catarina, o mercado físico apresenta um travamento nas negociações devido ao distanciamento entre as pontas compradora e vendedora. Os produtores catarinenses pedem cerca de R$ 60 por saca para fechar novos lotes, enquanto as indústrias consumidoras oferecem R$ 55 por saca na entrega imediata.
De acordo com análises do Cepea, a oferta nacional acima do consumo doméstico imediato continua exercendo pressão de baixa sobre os preços do cereal. Embora a demanda de países da União Europeia abra espaço para o grão brasileiro no exterior, os volumes embarcados nos portos seguem em ritmo inferior ao registrado na temporada de 2025.
Trava comercial: Em Santa Catarina, a diferença entre a pedida dos vendedores de R$ 60 e a oferta dos compradores de R$ 55 paralisa as negociações.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) informa que o plantio da primeira safra de milho atingiu 97% da área prevista. Contudo, o excesso de umidade no solo e a baixa luminosidade decorrente de dias nublados têm limitado o crescimento das plantas em diversas regiões produtoras, gerando casos de amarelecimento foliar.
As cotações paranaenses registraram comportamentos opostos entre os polos regionais. No Oeste do estado, a saca de milho apresentou recuo de 0,53%, sendo cotada a R$ 50,58. Por outro lado, no Norte Central, os preços registraram elevação de 1,40%, alcançando a média de R$ 65,83 por saca.
Em Mato Grosso do Sul, as cotações do milho seguem em trajetória de queda no mercado disponível, com negociações entre R$ 50 e R$ 52 por saca. A maior retração de preços ocorre no município de Dourados. As usinas de bioenergia mantêm compras regulares, enquanto os demais compradores priorizam a reposição dos estoques. Os produtores restringem a oferta de novos lotes no mercado físico.