Após enfrentar barreiras como a necessidade de regularização fundiária e o alto risco agropecuário de febre aftosa, o estado de Roraima chegou a seu melhor momento para retomada da produção de grãos e para o desenvolvimento da agropecuária em geral. É o que afirma o presidente em exercício da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (FAERR), Silvio de Carvalho. O próximo passo é deixar de depender de energia exclusivamente proveniente da Venezuela. Com 18 mil hectares cultivados, o estado tem potencial para colher 50.000 toneladas do grão na safra atual, crescimento de 100% sobre o exercício anterior.
Em parceria com a comissão de produtores locais, a Expedição Safra, levantamento técnico jornalístico da produção de grãos no Brasil e no mundo, participa em Boa Vista, nos dias 26 e 27 de setembro da abertura da colheita no estado. “Enquanto nas demais regiões agrícolas do país as plantadeiras avançam no cultivo 2014/15, no extremo norte são as colheitadeiras que invadem as últimas lavouras da temporada 2013/14. O momento distinto reflete a realidade de um país com dimensões continentais, que planta e colhe ao mesmo tempo em que produz soja de Norte a Sul, quase que o ano inteiro”, destaca Giovani Ferreira, coordenador da Expedição Safra.
“Com energia confiável, áreas regularizadas e risco agropecuário da febre aftosa rumando para o status ´livre com vacinação´, a soja está chegando a Roraima no melhor momento. Há expectativa de crescimento muito acelerado e estamos muito otimistas. É excelente abrir a safra diante desse cenário”, destaca Carvalho.
Alvaro Luis Calegari, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Roraima (Seapa) lembra que os quatro milhões de hectares de cerrado existentes no estado já eram utilizados para pecuária extensiva. E que a vinda de pesquisadores do Rio Grande do Sul, na década de 70, ajudou a fomentar a migração de produtores de diversas regiões produtivas do país para o Norte, contribuindo assim para o desenvolvimento da região. “Nosso potencial estava adormecido. Com a evolução e celeridade da comunicação e a melhoria das condições das estradas, Roraima tem forte tendência para que se torne o celeiro da Amazônia, com baixo custo de produção e logística”, lembra Calegari.
Estrutura
Adequações logísticas como a construção de armazéns, adequação das estradas e terminais portuários são necessárias e há viabilidade da expansão do agronegócio na região. Atualmente a safra está sendo escoada pelo terminal de Manaus, mas o grande sonho é usar a saída para Georgetown, que são cerca de 700 km entre Boa Vista e a Guiana Inglesa. Hoje a estrada já existe, mas apenas 270 km são pavimentados. “Atrelado ao fato de já estarmos no Hemisfério Norte, isso vai garantir um custo de transporte mais barato”, lembra Calegari.
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Soja em Roraima |
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ANO |
ÁREA |
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2005 |
20.000 |
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2006 |
10.000 |
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2010 |
1.400 |
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2011 |
3.700 |
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2013 |
12.000 |
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2014 |
18.000 |
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2015 |
40.000 |
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2019 |
(*) 120.000 |
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(*) Potencial. Área em hectares. Fonte: Expedição Safra. |
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Potencial
Depois de atingir 20 mil hectares, em 2005, restrições de natureza fundiária reduziram o cultivo a pouco mais de 1 mil hectares. Para a safra 2014/15 a intenção dos produtores é mais que dobrar a extensão cultivada e atingir 40 mil hectares. A meta para 2019 é ainda mais audaciosa. A depender das condições de mercado, existe um ambiente favorável para alcançar 120 mil hectares, estima a Expedição Safra.
Sobre a Expedição Safra
A Expedição Safra está na estrada desde o ciclo 2006/07. O projeto consiste em um levantamento técnico-jornalístico da produção de grãos. Da América do Sul à América do Norte, a sondagem periódica percorre em 15 estados brasileiros, mais as regiões produtoras dos Estados Unidos, Paraguai, Argentina e Uruguai. Para ampliar a discussão sobre mercado, na temporada 2010/11 a Expedição estabeleceu os roteiros extraordinários com incursões à Europa (Alemanha, Holanda, Bélgica e França), China e Índia. Na temporada 2013/14, o destino é a África.
Mais informações: www.expedicaosafra.com.br
Agenda: A programação será aberta com uma palestra sobre mercado no dia 26, sexta-feira, na sede do Corpo de Bombeiros e uma dinâmica de campo no dia 27 de setembro a partir das 9 horas na Fazenda MacLaren.