Abiove prevê queda de 6,5% na receita das exportações de soja
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Publicado em 02/12/2015 15h37

Abiove prevê queda de 6,5% na receita das exportações de soja

Os embarques do grão devem crescer 1,5% e atingir o volume recorde de 53,8 milhões de toneladas, enquanto o preço médio em dólar deve cair 7,9%
Por: Venilson Ferreira

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleo de Soja (Abiove) divulgou nesta quarta-feira suas projeções para 2016, que apontam para a colheita de 98,6 milhões de toneladas da oleaginosa e exportações de 53,8 milhões de toneladas, volume 1,5% acima do previsto para este ano.

As projeções da entidade são de queda de 6,5% na receita das vendas externas do grão em 2016, para US$ 18,83 bilhões, devido à previsão de queda de 7,9% no preço médio, projetado em US$ 350 por tonelada, abaixo dos US$ 380 deste ano e dos US$ 509 do ano passado.

Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove, explica que o preço de exportação de US$ 509 por tonelada, registrado em 2014, foi “um ponto fora da curva”, pois refletia a quebra da safra norte-americana e o enxugamento dos estoques mundiais. Ele prevê que os preços da soja na Bolsa de Chicago nesta safra devem ficar estáveis entre US$ 8,50 a US$ 9 por bushel.

Na avaliação da Abiove a safra brasileira de soja que está em fase de desenvolvimento tem potencial para colheita acima de 100 milhões de toneladas, “que é um marco histórico importante”. Trigueirinho descarta uma pressão de oferta, lembrando que o consumo na China continua crescendo na faixa de 5 a 6 milhões de toneladas de soja anuais.

Ela acredita que o Brasil continuará como principal fornecedor do mercado mundial, porque tem espaço para expandir o plantio nas áreas de pastagem degradas, enquanto nos Estados Unidos e mesmo na Argentina somente avançando sobre outras culturas.

Carlo Lovatelli, presidente da entidade, diz que o principal desafio do setor é expandir as exportações de produto de maior valor agregado. A Abiove calcula que 60% da soja brasileira é exportada in natura, enquanto na Argentina 80% da safra é processada pela industria local para produção de óleo e farelo.

Lovatelli defende entendimentos entre os governos do Brasil e da China, para estabelecer uma cota de exportação de derivados de soja, em troca de alguma mercadoria de interesse dos chineses. Ele destaca a maior participação do governo chinês no mercado, por meio da compra da participação nas grandes companhias exportadoras, além de expandir seu parque industrial com a entrada em funcionamento de 9 a 15 modernas fábricas no próximo ano.

Outra preocupação da Abiove diz respeito à questão tributária, como o crédito das empresas estimado entre US$ 2 a R$ 3 bilhões, que não foram pagos pelo governo federal por causa da falta de recursos no Tesouro.

Lovatelli relatou que amanhã (3) participa de reunião com representantes do governo de Mato Grosso para tratar da questão da tributação do ICMS. Ele explicou que Mato Grosso quer que as indústrias informem se a soja que saiu do Estado foi exportada (neste caso isenta do imposto) ou processada e vendida para o mercado interno, a fim de que possam cobrar o tributo. Ele diz que é impossível determinar o destino na saída da mercadoria, mas ressaltou que o setor está disposto a chegar num acordo para pagar o tributo.